quinta-feira, 5 de maio de 2011

Barack Obama: um nobel sem escrúpulos


Atilio Boron

A notícia do assassinato de Osama Bin Laden oferece um sinal a mais dentre os muitos que ilustram a profunda crise moral da “civilização ocidental e cristã” que os Estados Unidos dizem representar. Para além da rejeição que nos provocava o personagem e seus métodos de luta, a natureza da operação levada a cabo pelos seals da Armada dos Estados Unidos é um ato de inqualificável barbárie perpetrado sob as ordens diretas de um personagem que com suas condutas cotidianas desonra a atribuição que lhe outorgou o Parlamento norueguês ao consagrá-lo como Prêmio Nobel da Paz do ano de 2009.

De acordo com o estabelecido por Alfred Nobel em seu testamento esta distinção, devemos recordar, devia ser concedida “à pessoa que mais ou melhor trabalhou em favor da fraternidade entre as nações, a abolição ou redução dos exércitos existentes e a celebração e promoção de processos de paz.” O energúmeno que anunciou ao povo estadunidense a morte do líder da Al-Qaeda dizendo que “a justiça foi feita” é a antítese perfeita do estipulado por Nobel. Um comando operativo é o menos parecido ao devido processo, e lançar os restos de sua vítima ao mar para ocultar os vestígios do que se fez é ato próprio de mafiosos ou genocidas. O mínimo que deveria fazer o Parlamento norueguês é exigir que ele devolva o prêmio.

Na truculenta operação encenada nos arredores de Islamabad há múltiplas interrogações que permanecem nas sombras, e a tendência do governo dos Estados Unidos a desinformar a opinião pública torna ainda mais suspeita esta operação. Uma Casa Branca vítima de uma doentia compulsão por mentir (lembrar a pequena história das “armas de destruição em massa” existentes no Iraque, ou o infame Informe Warren que sentenciou que não houve conspiração no assassinato de Kennedy, obra do “lobo solitário” Lee Harvey Oswald) nos obriga a analisar com cuidado cada uma de suas afirmações.

Era Bin Laden ou não? Por que não pensar que a vítima poderia ser qualquer outro? Onde estão as fotos, as provas de que o falecido era o procurado? Se foi tirada uma prova de DNA, como ela foi obtida, onde estão os resultados e quem foram as testemunhas? Por que este teste não foi apresentado perante consideração pública, como se fez, sem ir mais longe, com os restos do comandante Ernesto “Che” Guevara? Se, como se assegura, Osama se ocultava numa mansão convertida numa verdadeira fortaleza, como é possível que em um combate que se estendeu durante 40 minutos os integrantes do comando estadunidense regressaram à sua base sem receber sequer um arranhão? Tão pouca pontaria teriam os defensores do fugitivo mais procurado do mundo, do qual se falava que possuía um arsenal de armas mortíferas de última geração? Quem estava com ele?

Segundo a Casa Branca o comando matou Bin Laden, seu filho, outros dois homens sob sua tutela e uma mulher que, asseguram, foi intimada a ser utilizada como escudo humano por um dos terroristas. Também se disse que mais duas pessoas ficaram feriados no combate. Onde estão, e o que vai ser feito delas? Serão levadas a julgamento, darão depoimento para lançar alguma luz sobre o ocorrido, falaram em uma coletiva de imprensa para narrar o acontecido? Pelo que parece esta “proeza” passará à história como uma operação mafiosa, ao estilo da matança de San Valentín ordenada por Al Capone para liquidar os capangas do lado rival.

Osama vivo era um perigo. Se sabia (ou sabe) demasiadamente, e é razoável supor que a última coisa que o governo estadunidense queria era levá-lo a julgamento e deixá-lo falar. Neste caso seria desatado um escândalo de enormes proporções ao revelar as conexões com a CIA, os armamentos e o dinheiro investido pela Casa Branca, as operações ilegais montadas por Washington, os obscuros negócios de sua família com o lobby petroleiro estadunidense e, muito especialmente, com a família Bush, entre outras trivialidades.

Em suma, um testemunho que haveria de ser silenciado de qualquer forma, como Muammar Gadafi. O problema é que já morto, Osama se converte para os jihadistas islâmicos em um mártir da causa, e o desejo de vingança seguramente impulsionará às muitas células adormecidas da Al-Qaeda a perpetrar novas atrocidades para vingar a morte de seu líder.

Tampouco deixa de chamar a atenção o quão oportuna foi a morte de Bin Laden. Quando o incêndio da seca na pradaria do mundo árabe desestabiliza uma área de crucial importância para a estratégia de dominação imperial, a notícia do assassinato de Bin Laden reinstala a Al-Qaeda no centro do cenário. Se há algo que a esta altura é uma verdade irrefutável é que essas revoltas não respondem a nenhuma motivação religiosa. Suas causas, seus sujeitos e suas formas de luta são eminentemente seculares e em nenhuma delas – desde Tunísia ao Egito, passando por Líbia, Barein, Iêmen, Síria e Jordânia – o protagonismo recaiu sobre a Irmandade Muçulmana ou Al-Qaeda.

O problema é o capitalismo e os devastadores efeitos das políticas neoliberais e os regimes despóticos que ele instalou nestes países e não as heresias dos “infiéis” do Ocidente. Mas o imperialismo estadunidense e seus capangas na Europa aguardaram, desde o princípio, para fazer aparecer estas revoltas como produto da malícia do radicalismo islâmico e Al-Qaeda, coisa que não é certa.

Santiago Alba Rico observou com razão que em pleno auge destes protestos seculares – anti-políticas de ajuste do FMI e do Banco Mundial – um grupo fundamentalista desconhecido até então assassinou o cooperante italiano Vittorio Arrigoni, ativista do Movimento de Solidariedade Internacional, em uma casa abandonado na Faixa de Gaza. Poucas semanas depois, um terrorista suicida estourou uma bomba na praça Yemaa el Fna, um dos destinos turísticos mais notáveis não só do Marrocos, mas de toda a África, e mata ao menos 14 pessoas.

“Agora – continua Alba Rico – reaparece Bin Laden, não vivo e ameaçador, mas com toda a glória de um martírio adiado, estudado, cuidadosamente encenado, um pouco inverossímil. “A justiça foi feita, disse Obama, mas a justiça exige tribunais e juízes, procedimentos sumários, uma sentença independente.” Nada disso ocorreu, nem ocorrerá. Mas o fundamentalismo islâmico, ausente como protagonista das grandes mobilizações do mundo árabe, aparece agora em primeiro plano em todos os jornais do mundo e seu líder como mártir do Islã assassinado a sangue frio pela tropa do líder do Ocidente. A Casa Branca, que sabia desde meados de fevereiro deste ano que nesta fortaleza nos arredores de Islamabad se refugiava Bin Laden, esperou o momento oportuno para lançar seu ataque tendo em vista posicionar favoravelmente Barack Obama na iminente campanha eleitoral pela sucessão presidencial.

Há um detalhe nada anedótico que torna ainda mais imoral a bravata estadunidense: poucas horas depois de ser abatido, o cadáver do presumido Bin Laden foi lançado ao mar. A mentirosa declaração da Casa Branca diz que seus restos foram sepultados respeitando as tradições e os ritos islâmicos, mas não é bem assim. Os ritos fúnebres do Islã estabelecem que se deve lavar o cadáver, vesti-lo com uma mortalha, proceder com uma cerimônia religiosa que inclui orações e honras fúnebres para logo em seguida seguir para o enterro do defunto. Além disso, se especifica que o cadáver deve ser depositado diretamente na terra, recostado sobre seu lado direito, e com a face dirigida à Meca.

Com que pressa tiveram que ser feitos o combate, a recuperação do cadáver, sua identificação, a obtenção do DNA, o traslado em um navio da Armada estadunidense, situado a pouco mais de 600 km do subúrbio de Islamabad onde se produziu o enfrentamento e finalmente navegar até o ponto onde o cadáver foi lançado ao mar para respeitar os ritos fúnebres do Islã? Na realidade, o que se fez foi abater e “desaparecer” com uma pessoa, presumidamente Bin Laden, seguindo uma prática sinistra utilizada sobretudo pela ditadura genocida que assolou a Argentina entre 1976 e 1983. Ato imoral que não somente ofende às crenças muçulmanas, mas também uma milenar tradição cultural do Ocidente, anterior inclusive ao cristianismo.

Como o atesta magistralmente Sófocles em Antígona, privar um defunto de sua sepultura acende as mais amargas paixões. Estas que hoje devem estar incendiando as células do fundamentalismo islâmico, desejosas de castigar os infiéis que ultrajaram o corpo e a memória de seu líder. Barack Obama acaba de dizer que depois da morte de Osama Bin Laden o mundo é um lugar mais seguro para se viver. Equivoca-se de pouco em pouco. Provavelmente sua ação não fez senão despertar um monstro que estava adormecido. O tempo dirá se assim será ou não, mas sobram razões para ficarmos preocupados.

* Traduzido por Cainã Vidor e publicado na Revista Fórum.

O assassinato de Osama Bin Laden


Fidel Castro

Aqueles que lidam com estes assuntos sabe que, em 11 de setembro de 2001, o nosso povo expressa a solidariedade com os Estados Unidos e deu a modesta cooperação no campo da saúde pode oferecer às vítimas do brutal atentado às Torres Gêmeas Nova York.

Também imediatamente ofereceu pistas em nosso país por aviões norte-americanos à terra não receberam o caos nas primeiras horas após o golpe.
Sabemos que a posição histórica da Revolução Cubana, que sempre se opôs a ações que põem em perigo as vidas dos civis.

Determinado adeptos da luta armada contra a tirania de Batista, foram, no entanto, ao contrário, por princípio, a qualquer ato terrorista que causou a morte de pessoas inocentes. Tal conduta, realizada mais de meio século, dá-nos o direito de expressar uma opinião sobre a questão sensível.

Massive evento público realizado na cidade de Esportes naquele dia manifestou a convicção de que o terrorismo internacional nunca serão resolvidos pela violência e pela guerra.

É verdade que foi, durante anos, um amigo dos Estados Unidos militares treinados dele, e adversário da URSS e do socialismo, mas o que foram os atos atribuídos a Bin Laden, o assassinato de um ser humano desarmado e cercado pela família é um fato repugnante. Aparentemente é isso que fez o governo da nação mais poderosa que jamais existiu.

O discurso cuidadosamente preparado para Obama anunciar a morte de Bin Laden diz: "... sabemos que as piores fotos são aquelas que são invisíveis para o mundo. A cadeira vazia na mesa. As crianças foram obrigadas a crescer sem a mãe ou o pai. Os pais que nunca mais vai sentir o abraço de uma criança. Cerca de 3 000 pessoas foram levadas para longe de nós, deixando um buraco em nossos corações. "

Este parágrafo contém uma realidade dramática, mas não pode impedir que pessoas honestas lembrar guerras injustas desencadeada por os EUA no Iraque e no Afeganistão, centenas de milhares de crianças forçadas a crescer sem a mãe ou o pai e os pais nunca mais ia sentir o abraço de uma criança.

Milhões de cidadãos marcharam longe de suas aldeias no Iraque, Afeganistão, Vietnã, Laos, Camboja, Cuba e outros países ao redor do mundo.

Nas mentes de centenas de milhões de pessoas que não tenham sido apuradas, nem as imagens terríveis dos seres humanos em Guantanamo, Cuba ocupou, marchando em silêncio submetidos durante meses ou até anos para se insuportável e enlouquecedor tortura, são seqüestradas e transportadas para prisões cumplicidade secreta com a hipocrisia de alegada sociedades civilizadas.

Obama não tem como esconder o fato de que Osama foi morto na frente de seus filhos e esposas, agora nas mãos das autoridades do Paquistão, um país muçulmano, de quase 200 milhões de pessoas, cujas leis foram violadas, ofendeu a dignidade nacional, e sua ultrajado tradições religiosas.

Como agora impedem as mulheres e os filhos dos executados sem julgamento nem direito explicar o que aconteceu, e as imagens são transmitidas para o mundo?

Em 28 de janeiro de 2002, o jornalista da CBS Dan Rather, transmitido pela estação de televisão que o 10 de setembro de 2001, um dia antes dos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, Osama bin Laden passou diálise em um hospital militar paquistanês. Eu não era capaz de esconder e proteger-se em cavernas profundas.

Assassinato e enviado para as profundezas do mar mostra o medo e a insegurança tornam muito mais perigosos.

O público nos Estados Unidos, após a euforia inicial vai acabar criticando os métodos, longe de proteger os cidadãos acabam multiplicando os sentimentos de ódio e vingança contra eles.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Resposta a comentário sobre post

A charge que postei do Lattuf semana passada rendeu este seguinte comentário "anônimo":

"Você coloca aqui a monogamia no sentido de posse. Mas não vejo mal em um homem e uma mulher se respeitarem enquanto estão juntos.

Tanto o homem ou a mulher que tem mais de um parceiro ao mesmo tempo não tem amor próprio. São pessoas que terminam se protituindo e prostituindo seus sentimentos, pondo a relação amorosa e o respeito a favor da vulgaridade.

Quem não quer compromisso sério que se separe e se jogue na gandaia, isso tanto pro homem como pra mulher.

O respeito e o amor verdadeiro acima de tudo.

Duvido muito um homem ser a favor de que sua companheira tenha varios parceiros. Você gostaria? Se for é melhor partir para uma orgia e aguentar o peso na cabeça."

Faço questão de colocá-lo aqui para esclarecer algumas coisas:

1°) A monogamia historicamente está associada ao sentimento de posse e diretamente
ligada a propriedade privada. E para provar isso posso colocar a disposição em outro momento alguns textos que esclareçam este tema que por si só, geraria um texto bastante denso. Por hora prometo me esforçar em escrever sobre isso ou até mesmo postar alguns textos de contribuição histórica a exemplo de Engels, Lênin e Alexandra Kolontai para que assim possamos aprofundar este debate surgido com o comentário acima.

2°) A vulgaridade pra mim estar no fato das pessoas construirem relações sem sentimentos verdadeiros. Entretanto não dar apenas pra simplificar uma afirmação generalizando que toda pessoa que possua mais um parceiro ao mesmo tempo seja vulgar e não tenha amor próprio. Afinal, há casos (e há quem diga que há um crescimento deles) em que as partes envolvidas concordam em estabelecer este tipo de relação e afirmam existir amor. Agora...o que entendemos por amor? Só esta pergunta daria muito o que falar e coloco o blog para quem quiser contribuir.

3°) Quanto ao último questionamento...eu particularmente não sou adepto de dividir uma companheira com mais uma pessoa ou mais de uma pessoa. Agora...se há quem goste e concorde não vejo ai nenhuma traição ou um "peso na cabeça". Peso na cabeça carrega quem falsamente concorda em construir uma relação que será monogâmica apenas para uma das partes. E geralmente é a mulher que carrega este fardo. Uma coisa é preciso ser dita: se há consenso entre as partes e há fidelidade ao que se propôs não há nada de traição mesmo se nesta relação haver mais de duas pessoas envolvidas. Afinal, todas estão concordando e sendo fiéis ao combinado.

Por enquanto fico por aqui e novamente reafirmando promessa em estudar novamente sobre o assunto e expor noutro momento com maior clareza sobre este tema.

Perguntas De Um Operário Que Lê

Quem construiu Tebas, a das sete portas?

Nos livros vem o nome dos reis,

Mas foram os reis que transportaram as pedras?

Babilònia, tantas vezes destruida,

Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas

Da Lima Dourada moravam seus obreiros?

No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde

Foram os seus pedreiros? A grande Roma

Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem

Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio

Só tinha palácios

Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida

Na noite em que o mar a engoliu

Viu afogados gritar por seus escravos.


O jovem Alexandre conquistou as Indias

Sozinho?

César venceu os gauleses.

Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?

Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha

Chorou. E ninguém mais?

Frederico II ganhou a guerra dos sete anos

Quem mais a ganhou?


Em cada página uma vitòria.

Quem cozinhava os festins?

Em cada década um grande homem.

Quem pagava as despesas?


Tantas histórias

Quantas perguntas



Bertolt Brecht

Vale a pena os súditos britânicos sustentarem a família real?

Frei Betto

Em Cambridge, onde morei em 1987, descobri por que a BBC não produz telenovelas. País coroado por lendária família real, como a Inglaterra, dispensa contos de fadas. Basta ligar a TV. A telinha, ao focar a monarquia, exibe cenas tão exuberantes que a realidade parece superar a fantasia.

Aristóteles, mestre em teoria literária, ensina que a ficção não precisa ser verdadeira, precisa ser verossímil. O espectador ou leitor tem que ficar convencido de que toda aquela fantasia brotada da imaginação possui certa coerência. Júlio Verne e Monteiro Lobato que o digam.

Ora, e se eu dissesse a você, leitor(a), que acabo de ler um romance no qual uma princesa, Anne, após 20 anos de casada, decide divorciar de seu marido, Mark, por suspeita de adultério? Como narrativas centradas na nobreza requerem temperos de romantismo e intriga, sedução e traição, o irmão da princesa, Charles, herdeiro do trono, também se separa de sua bela mulher, Diana, mãe de seus dois filhos, para se juntar a uma mulher divorciada, a inexpressiva Camilla.

Indignada com a atitude do filho, a rainha se recusa a abdicar, impedindo-o de ascender ao trono. A princesa Diana cai nos braços de um miliardário árabe, sob o risco de dar à luz, na nobre linhagem da Casa de Windsor, cabeça da Igreja Anglicana, o primeiro rebento muçulmano...

Mas eis que o destino a conduz à morte num trágico acidente automobilístico num túnel de Paris. Destronada da nobreza e da vida, Lady Di passa a merecer veneração mundial por sua beleza e dedicação a causas sociais.

Andrew, outro filho da rainha, se casa com uma tal Sarah. Seis anos depois, o casamento fracassa. Sarah perde as regalias nobiliárquicas e, desesperada, é flagrada negociando com empresários, por quantia superior a R$ 1 milhão, acesso ao ex-marido, representante comercial da Grã-Bretanha.

São todas histórias reais – no duplo sentido do adjetivo. Que autor de novela ou romance bolaria trama tão instigante e apimentada?

Agora, o mundo parece esquecer guerras e dores, trabalhos e dificuldades, para se deliciar com o casamento do príncipe William, filho de Charles e Diana, com a plebéia Kate Middleton. O sonho em forma de realidade! O verdadeiro reality show!

Não apenas os noivos expressam felicidade. A combalida economia britânica, afetada pela crise do capitalismo iniciada em 2008, também se rejubila. Como isca de turismo e venda de souvenires, a família real britânica garante aos cofres do país cerca de R$ 1,2 bilhão por ano. Prevê-se um faturamento de R$ 4,8 bilhões, graças aos milhares de turistas que afluem a Londres pelo prazer de repetir o resto na vida: “Naquele dia, eu estava lá.”

A UK Gift Company, especializada na venda de penduricalhos reais (chaveiros, isqueiros, louças com foto dos noivos, bolsas estampadas etc.) calcula um aumento de 40% nas vendas.

Mundo afora, mais de 2 bilhões de pessoas, de olho nas bodas reais via TV ou internet, fizeram a festa das agências de publicidade e das empresas anunciantes.

Acima de toda essa nobre parafernália paira uma pergunta: vale a pena os súditos britânicos sustentarem a família real? Ora, a Casa de Windsor custa, a cada súdito, a bagatela de R$ 1,66 por ano. E possui em propriedades algo em torno de R$ 16 bilhões. A maior parte desse patrimônio está alugada, e a renda vai direto para os cofres públicos. Caso a monarquia fosse abolida, a família teria direito de apropriar-se da renda.

E nós, pobres plebeus, que admiramos extasiados bodas reais e já não temos monarquia? Elementar, meu caro Watson: revestimos os nossos ídolos de majestade – o rei Pelé; Roberto Carlos, o rei; misses coroadas e escolas de samba em pompas principescas.

Ainda bem que o nosso príncipe destronado, Dom João Henrique de Orléans e Bragança, bisneto da princesa Isabel, assume tranquilo sua condição de feliz plebeu. Fotógrafo e hoteleiro, vive numa bucólica casa em Paraty e não perde a oportunidade de oferecer aos amigos uma deliciosa cachaça.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bin Laden incorpora exu no sertão

Miguezim de Princesa

I
Acabo de receber
Uma grande informação,
Que vazou de uma carta
Mandada do Paquistão,
Afirmando que Bin Laden
Se encontra no Sertão.

II
É na cidade do Lastro,
Nos confins paraibanos,
Que está homiziado
O chefe dos muçulmanos,
Porém com a barba raspada
E a cabeça sem pano.

III
Vende galinha na feira;
Só anda armado de faca,
espingarda soca-soca
e garrucha na bruaca;
É querido e conhecido
Por nome Mané Binlaca.

IV
Assim que chegou por lá,
Endoidou por uma menina
Cujo prenome é Joelma
De Socorro de Ambrosina.
Quando recebeu um “não”,
Quis tomar estricnina.

V
Foi a irmã de Johnsim,
Que chegou esbaforida,
A tempo de lhe dar leite
E assim salvar sua vida,
Contando com a ajuda
De Breno de Aparecida.

VI
Quando ouviu a notícia
Que Bin Laden tinha morrido,
Mané soltou uma “gaitada”,
Fez o maior alarido,
Deu três tiros de garrucha
Que estuporou o ouvido.

VII
Mandou matar três galinhas,
Fez uma panela de canja;
Agarrou-se com Naninha,
Filha de finada Arcanja;
Comeu uns quatro pão-doces
Com Ki-suco de laranja.

VIII
Chamou Ricardo Coitim,
Também a primeira-dama,
Dr. Cássio Coisa Linda,
De quem já conhece a fama,
E se juntaram numa farra
Para mangar de Obama.

IX
Acham que os americanos
Estão fracos das ideias,
Espalhando pelo mundo
Mentira e “prosopopeias”,
Pois a foto divulgada
Era do finado Enéas.

X
Bin Laden ainda está vivo
Feito uma assombração:
Ainda ontem foi visto
No terreiro de Janjão,
Incorporando um Exu
Com uma bomba na mão.

domingo, 1 de maio de 2011

Totonho diz que Chico César acerta quando não gasta dinheiro público com baboseiras

“Já tive a oportunidade de comentar sobre a postura de Chico César e dos que pensam como ele (eu me incluo), quando o assunto é investimento público para a cultura. É importante observar: o dinheiro público não pode ser gasto com qualquer baboseira, seja com o forró de plástico ou com a música brega de pagodeiros, sertanejos, axés e outros brucutus da inutilidade cultural brasileira.

Totonho é mais um companheiro das lutas do Musiclube/Fala Bairros/Mei nos anos 80, época em éramos todos visionários que insistiam em olhar para o futuro, achando que o futuro seria sempre para depois, bem depois. Mas o futuro chegou, e dentro desse futuro de agora tem inclusive uma "carrada de baboseiras" e brucutus que a mídia comprada nos empurra goela abaixo, como se fosse a melhor coisa do mundo, e tudo não passa mesmo disso: BABOSEIRA!

Mas Totonho é um artista dos mais criativos de nossa música paraibana e como ele, Chico César, hoje nosso secretário de cultura do governo do estado, ícones de uma realidade que foi construída com base em muita ação de guerrilha cultural pelos bairros da grande João Pessoa. Duas personalidades musicais de grande peso político para o nosso estado, estejam onde estiverem.

Chico e Totonho são irmãos de Musiclube e devem compreender que a reserva natural do "dinheiro público para a cultura" deve ser guardada para o gasto com um projeto que atenda sempre a mais artistas de qualidade indiscutível, para que o dinheiro investido não possa ser colocado no lixo dos empresários que vendem essas baboseiras.

Se há enganos e equívocos a declarar, eu serei o primeiro artista equivocado que continua convicto de suas posturas em defesa da cultura guerrilheira nos bairros da grande João Pessoa. O resto é besteira!

Ou não?”