segunda-feira, 19 de setembro de 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Jânio - Bastidores do golpe

 retirado do IHU

"Jânio arquitetou o seu plano meticulosamente (ou paranoicamente)", escreve Ary Ribeiro, jornalista, testemunha ocular da renúncia de Jânio Quadros, em 1961, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, 29-08-2011.

Segundo o jornalista, Jânio "deixou Brasília numa sexta-feira, pela manhã, mas a comunicação à imprensa e ao Parlamento só foi feita lá pelo meio da tarde, quando o Congresso Nacional deveria estar quase vazio. Dessa forma a renúncia só iria ser discutida na segunda-feira - Jânio imaginava que teria de ser levada à deliberação em plenário -, havendo tempo, assim, para articulações e mobilização por sua volta ao poder".

Eis o artigo.

À época repórter deste jornal e da Rádio Eldorado, incumbido da cobertura do Palácio do Planalto, pude acompanhar muito de perto os sete meses do governo Jânio Quadros e levar a rádio a ser a primeira emissora do País a noticiar a renúncia, que a ligação de alguns fatos leva a crer que fora planejada ainda na campanha eleitoral.

Começo por lembrar os acontecimentos. No dia 25 de agosto de 1961, chegara cedo ao Palácio do Planalto, como sempre, pois Jânio costumava iniciar o dia de trabalho por volta das 7h30 - e frequentemente já expedindo os seus famosos bilhetinhos com ordens ou indagações dirigidas a seus ministros.

O País vivia dias tensos. Na véspera, à noite, o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, denunciara, pela televisão, haver sido sondado para apoiar suposta tentativa de golpe. Ele acabara de voltar de Brasília, onde sofrera o constrangimento do episódio da mala: convidado a hospedar-se no Palácio da Alvorada, quando voltou, à noite, depois de conversações com a cúpula janista, encontrou a sua mala do lado de fora do portão.

Jânio, àquela hora do dia 25, passava em revista tropas na Esplanada dos Ministérios, pois era o Dia do Soldado. Comecei a percorrer alguns gabinetes. O de José Aparecido de Oliveira, secretário particular do presidente, habitualmente aberto e ponto de encontro de jornalistas e políticos, estava estranhamente fechado.

Ao sair para almoçar, encontrei-me no elevador com o colega e amigo Edísio Gomes de Matos, do Jornal do Brasil. Falei-lhe do clima esquisito que percebera nos gabinetes: portas fechadas, fisionomias carregadas, ninguém falando nada. Mal entrara em meu apartamento, o telefone tocou. Era o Edísio: "Volta que o Jânio renunciou".

Estupefato, voltei. E ele me contou: ouvira, através da porta, José Aparecido falando da renúncia, pelo telefone. Avisei a Rádio Eldorado, que deixou pronta a notícia, porque a divulgação de "boatos" estava proibida. Quando, às 15 horas, o secretário de imprensa, Carlos Castello Branco, reuniu os jornalistas credenciados e começou a ler o comunicado, eu estava ao seu lado com o telefone ligado para a sucursal do Estadão em Brasília e esta com a rádio, que então soltou a notícia. Naquele tempo as comunicações não eram como hoje...

Muita gente acreditou, e por bastante tempo, que aquele fora ato tresloucado, de momento, talvez fruto de bebedeira da noite anterior. Hoje não há dúvida de que se tratou de tentativa de inusitado golpe de Estado - de iniciativa do próprio governante. O que não se sabe é que muito provavelmente havia sido arquitetado desde a campanha eleitoral.

Quando candidato, ele fizera uma espécie de teste: renunciara à candidatura, voltando atrás depois de difíceis entendimentos com a cúpula udenista - e com outro candidato a vice, o mineiro Milton Campos, no lugar do sergipano Leandro Maciel, ambos da UDN.

Um dos principais motivos da crise interna na campanha eleitoral, porém, não fora afastado. O comitê janista continuou estimulando a chapa clandestina Jan-Jan (Jânio e Jango). Naquele tempo se votava separadamente para presidente e vice. Eu mesmo, como um dos anônimos colaboradores da campanha janista, fui incumbido de redigir pequenos textos em prol da chapa Jan-Jan, os quais eram panfletados sem identificação de origem.

Jânio não precisava de Jango para se eleger. Henrique Teixeira Lott, candidato do PSD-PTB, era homem sem carisma, sem afinidade com a política, candidatura difícil de ser carregada e que não contava sequer com efetivo apoio do então presidente Juscelino Kubitschek. Tanto que Jânio, eleito com 5,6 milhões de votos, quase a metade do eleitorado, teve 2 milhões de votos a mais que o general Lott.

Por que, então, esforçar-se para eleger Jango?

Porque se o vice fosse Milton Campos o golpe da renúncia não teria efeito. Ele assumiria o cargo normalmente, sem traumas. Era homem de bem, respeitado até mesmo pelos adversários. Ao contrário de Jango, que, tido como aliado de sindicalistas e comunistas, tinha contra si feroz oposição de empresários e militares.

Jânio, pouco antes da renúncia, teve ainda a cautela de tirar Jango do País, enviando-o à China como chefe de uma missão empresarial, pois se estivesse no Brasil poderia assumir a Presidência, nomear imediatamente um ministro da Guerra e ganhar o controle da situação. Estando, porém, do outro lado do mundo - numa época em que as comunicações eram difíceis -, haveria tempo para apelos e mobilização pela volta de Jânio ao cargo, com poderes ampliados.

Jânio foi além: procurou intrigar mais Jango com seus opositores. José Aparecido mostrava-nos, a mim e ao Edísio, relatórios confidenciais que Jango enviava da China, repletos de elogios a Mao Tsé-tung e a outros líderes comunistas.

Esses fatos estariam a demonstrar que Jânio arquitetou o seu plano meticulosamente (ou paranoicamente). Deixou Brasília numa sexta-feira, pela manhã, mas a comunicação à imprensa e ao Parlamento só foi feita lá pelo meio da tarde, quando o Congresso Nacional deveria estar quase vazio. Dessa forma a renúncia só iria ser discutida na segunda-feira - Jânio imaginava que teria de ser levada à deliberação em plenário -, havendo tempo, assim, para articulações e mobilização por sua volta ao poder.

O presidente do Congresso, senador Auro de Moura Andrade, no entanto, frustrou o plano. Convocou imediatamente sessão conjunta do Congresso, anunciou a renúncia como "ato unilateral de vontade", insuscetível de ser discutido ou posto em deliberação, e deu posse ao sucessor constitucional presente no País, o presidente da Câmara, deputado Ranieri Mazzilli. Com isso se consumou a renúncia, que resultaria, mais tarde, na derrubada de João Goulart e em 20 anos de regime militar. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

pra descontrair!

- HOSPITAL PSIQUIÁTRICO -
O teste da banheira.

Durante a visita a um hospital psiquiátrico, um dos visitantes perguntou ao diretor:
- Qual é o critério pelo qual vocês decidem quem precisa ser hospitalizado aqui?
O diretor respondeu:
- Nós enchemos uma banheira com água e oferecemos ao doente uma colher, um copo e um balde e pedimos que a esvazie. De acordo com a forma que ele decida realizar a missão, nós decidimos se o hospitalizamos ou não.
- Ah! Entendi. - disse o visitante. Uma pessoa normal usaria o balde, que é maior que o copo e a colher.

-
Não! - respondeu o diretor - uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo.
O que o senhor prefere? Quarto particular ou enfermaria?
"As vezes a vida tem mais opções do que as oferecidas, basta saber enxerga-las".
Agora diz a verdade...vc tb escolheu o balde, né? Semana que vem vou lá no hospital te fazer uma visitinha.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O ÚLTIMO DISCURSO DE SALVADOR ALLENDE

Discurso do Presidente Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, dia do golpe de Estado que derrubou o governo da Unidade Popular e implantou a sanguinária ditadura militar comandada pelo general Pinochet:

"Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."

By Latuff (11/09)

 






domingo, 11 de setembro de 2011

By Latuff


Esta charge foi produzida quando do momento do ataque as torres do WTC. Hoje é dia de lamentar as milhares de mortes provocadas pelo terrorismo imperialista que as promove unicamente para garantir sua sobrevida no capitalismo decadente.

Meia dúzia de capitalistas, desesperados pela ânsia de cada vez mais lucros, promovem guerras e intervenções militares por toda a parte numa tentativa de saírem de uma crise inerente ao sistema capitalista, demonstrando assim a incapacidade de governarem os rumos do nosso planeta.

Viva a luta de todos os povos que ressurge na luta Antiimperialista em todo o mundo!

Viva o Socialismo!

By Latuff