segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Beth Carvalho: "A CIA quer acabar com o samba"
Ao abrir o elevador, ainda no hall de
entrada do apartamento, um quadro com a foto de Che Guevara. Não há
dúvidas. Ali é o andar de Beth Carvalho. Ela surge na sala, amparada por
duas muletas, que logo deixa de lado para posar para as fotos. “Nunca
vi coisa para cair mais do que muletas. Estas meninas caem toda hora”,
diz, bem-humorada.
Ainda se recuperando de uma fissura no sacro (osso do final da coluna), aos 65 anos, Beth anda com dificuldades. Ficou dois anos sem pôr os pés no chão. “Estou ótima, salva! Os médicos comentaram com minha filha que eu poderia não andar mais. Mas não me abati. Foi um processo menos doloroso por perceber a prova de amor dos amigos e da família”, relata.
Após quinze anos, a sambista lança o CD
de inéditas “Nosso samba tá na rua”, dedicado a dona Ivone Lara, com
canções sobre a negritude, o amor e o feminismo. Uma das letras,
“Arrasta a sandália”, é de autoria de sua filha, Luana Carvalho. Cercada
de quadros de Cartola e Nelson Cavaquinho, entre almofadas verdes e
rosas (cores de sua escola de samba Mangueira), perante uma estante com
dezenas de troféus e outra com bonecos de Che, Fidel Castro e orixás,
Beth concede a entrevista a seguir ao iG.
No fundo da janela, o mar de São Conrado, bairro vizinho à favela da Rocinha. “A CIA quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura”, diz a cantora, presidente de honra do PDT. Entre os fartos risos, também não faltaram palavras ríspidas para defender seu ponto de vista.
iG: Qual foi a sensação ao voltar a andar?
BETH CARVALHO: A pior
da minha vida. Quando pus os pés pela primeira vez no chão, achei que
nunca ia andar de novo. Parecia que não tinha mais pernas, sem força
muscular. Depois, com a fisioterapia, a recuperação foi rápida. Precisei
colocar dois parafusos de 15 cm cada um, só isso me fez voltar a andar.
Agora sou interplanetária e biônica (risos).
iG: Em seu novo CD, a letra “Chega” é visivelmente feminista. Por que é raro o samba dar voz a mulheres?
BETH CARVALHO: O mundo,
não só o samba, é machista. Melhorou bastante devido à luta das
mulheres, mas a cada cinco minutos uma mulher apanha no Brasil. É um
absurdo. Parece que está tudo bem, mas não é bem assim. Sempre fui
ligada a movimentos libertários.
iG: De que forma o samba é machista?
BETH CARVALHO: A
maioria dos sambistas é homem. Depois de mim, Clara Nunes e Alcione, as
coisas melhoraram. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte. O
samba é matriarcal, na medida que dona Vicentina, dona Neuma, dona Zica
comandam os bastidores da história. Eu, por exemplo, sou madrinha de
muitos homens (risos).
“Não desanimo nunca. Minha esperança é a última que morre”
iG: A senhora é vizinha da favela da Rocinha. Como vê o processo de pacificação?
BETH CARVALHO: Faltou,
por muitos anos, a força do estado nestas comunidades. Agora estão
fazendo isso de maneira brutal e, de certa forma, necessária. Mas se não
tiver o lado social junto, dando a posse de terreno para quem mora lá
há tanto tempo, as pessoas vão continuar inseguras. E os morros virarão
uma especulação imobiliária.
iG: Alguns culpam o
governo Leonel Brizola (1983-1987/1991-1994) pelo fortalecimento do
tráfico nos morros. A senhora, que era amiga do ex-governador, concorda?
BETH CARVALHO: Isso é
muito injusto. É absurdo (diz em tom áspero). Se tivessem respeitado os
Cieps, a atual geração não seria de viciados em crack, mas de pessoas
bem informadas. Brizola discutia por que não metem o pé na porta nos
condomínios da Avenida Viera Souto (em Ipanema) como metem nos barracos.
Ele não podia fazer milagre.
iG: Defende a permanência de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho?
BETH CARVALHO: Olha,
sou presidente de honra do PDT porque é um título carinhoso que Brizola
me deu, mas não sou filiada ao PDT. Não tenho uma opinião formada sobre
isso, porque não sei detalhes. Existe uma grande rigidez a partidos de
esquerda. Fizeram isso com o PC do B do Orlando Silva, e agora fazem com
o PDT. O que conheço do Lupi é uma pessoa muito correta. Eles deveriam
ser menos perseguidos pela mídia.
iG: Aqui na sua casa há várias imagens de Che Guevara e de Fidel Castro. Acredita no modelo socialista?
BETH CARVALHO: Eu só
acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade.
Não tem outro (fala de forma enfática). Cuba diz ‘me deixem em paz’. Os
Estados Unidos, com o bloqueio econômico, fazem sacanagem com um país
pobre que só tem cana de açúcar e tabaco.
iG: Mas e a falta de liberdade de expressão em Cuba?
BETH CARVALHO: Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil.
iG: Por quê?
BETH CARVALHO: Porque existe uma ditadura civil no Brasil. Você não pode falar mal de muita coisa.
iG: Como quais?
BETH CARVALHO: Não
falo. Tem uma mídia aí que acaba com você. Existe uma censura. Não tem
quase nenhum programa de TV ao vivo que nos permita ir lá falar o que
pensamos. São todos gravados. Você não sabe que vai sair o que você
falou, tudo tem edição. A censura está no ar.
iG: Mas em países como Cuba a censura é institucionalizada, não?
BETH CARVALHO: Não
existe isso que você está falando, para começo de conversa. Cuba não
precisa ter mais que um partido. É um partido contra todo o imperialismo
dos Estados Unidos. Aqui a gente está acostumada a ter vários partidos e
acha que isso é democracia.
“Só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade”
iG: Este não seria um pensamento ultrapassado?
BETH CARVALHO: Meu Deus
do céu! Estados Unidos têm ódio mortal da derrota para oito homens,
incluindo Fidel e Che, que expulsaram os americanos usando apenas o
idealismo cubano. Os americanos dormem e acordam pensando o dia inteiro
em como acabar com Cuba. É muito difícil ter outro Fidel, outro Brizola,
outro Lula. A cada cem anos você tem um Pixinguinha, um Cartola, um
Vinicius de Moraes… A mesma coisa na liderança política. Não é questão
de ditadura, é dificuldade de encontrar outro melhor para ocupar o
cargo. É difícil encontrar outro Hugo Chávez.
iG: Chávez é acusado por muitos de ter acabado com a democracia na Venezuela.
BETH CARVALHO: Acabou com o quê? Com o quê? (indaga com voz alta)
iG: Com a democracia…
BETH CARVALHO: Chávez é
um grande líder, é uma maravilha aquele homem. Ele acabou com a
exploração dos Estados Unidos. Onde tem petróleo estão os Estados
Unidos. Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, que é o foco dos
Estados Unidos porque surgiu um líder eleito pelo povo. Houve uma
tentativa de golpe dos americanos apoiada por uma rede de TV.
iG: A emissora que fazia oposição ao governo e que foi tirada do ar por Chávez…
BETH CARVALHO: Não
tirou do ar (fala em tom áspero). Não deu mais a concessão. É diferente.
Aqui no Brasil o governo pode fazer a mesma coisa, televisão aberta é
concessão pública. Por que vou dar concessão a quem deu um golpe sujo em
mim? Tem todo direito de não dar.
iG: A senhora defende que o governo brasileiro deveria cassar TV que faz oposição?
BETH CARVALHO: Acho que
se estiver devendo, deve cassar sim. Tem que ser o bonzinho
eternamente? Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito com o
presidente da República. Quem cassava direitos era a ditadura militar, é
de direito não dar concessão. Isso eu apoio.
iG: Por ser oriundo dos morros, o samba foi conivente com o poder paralelo dos traficantes?
BETH CARVALHO: Não, o
samba teve prejuízo enorme. Hoje dificilmente se consegue senhoras para a
ala das baianas nas escolas de samba. Elas estão nas igrejas
evangélicas, proibidas de sambar. Não se vê mais garoto com tamborim na
mão, vê com fuzil. O samba perdeu espaço para o funk.
iG: Quem é o culpado?
BETH CARVALHO: Isso tem
tudo a ver com a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), que
quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os
Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura. Estas armas
dos morros vêm de onde? Vem tudo de fora. Os Estados Unidos colocam
armas aqui dentro para acabar com a cultura dos morros, nos fazendo
achar que é paranoia da esquerda. Mas não é, não.
iG: O samba vai resistir a esta “guerra” que a senhora diz existir?
BETH CARVALHO: Samba é resistência. Meu disco é uma resistência, não deixa de ser uma passeata: “Nosso samba tá na rua”.
Fonte: iG
Fotos: George Magaraia
Fotos: George Magaraia
sábado, 10 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Mineradoras e agronegócio querem divisão do Pará
Do Jornal A Verdade
No próximo dia 11 de dezembro a população do Estado do Pará decidirá sobre a proposta de criação de mais dois Estados – Carajás e Tapajós – e a consequente diminuição da área territorial do Estado. Os debates já estão ocorrendo, e o clima é acalorado. Para grande parte da população paraense, os interesses que movem a proposta de divisão não aparecem. Os defensores da criação dos dois novos Estados alegam que o governo e a administração central concentrada em Belém são o fator principal dos graves e inúmeros problemas vividos pela população que reside nas regiões Sul e Oeste, e que a distribuição das riquezas produzidas no Estado beneficiam a população que reside nas cidades próximas à capital.
No próximo dia 11 de dezembro a população do Estado do Pará decidirá sobre a proposta de criação de mais dois Estados – Carajás e Tapajós – e a consequente diminuição da área territorial do Estado. Os debates já estão ocorrendo, e o clima é acalorado. Para grande parte da população paraense, os interesses que movem a proposta de divisão não aparecem. Os defensores da criação dos dois novos Estados alegam que o governo e a administração central concentrada em Belém são o fator principal dos graves e inúmeros problemas vividos pela população que reside nas regiões Sul e Oeste, e que a distribuição das riquezas produzidas no Estado beneficiam a população que reside nas cidades próximas à capital.
Na verdade, a proposta de divisão é
movida por interesses de grandes mineradoras, madeireiras,
latifundiários e de oligarquias políticas locais, cujo objetivo é a
exploração dos minérios no rico subsolo paraense, do desmatamento das
florestas, do cultivo em larga escala de soja e criação de gado e da
implantação de empresas do agronegócio na região.
Atualmente o Pará é o segundo maior
Estado da Federação, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados e uma
população de 7,5 milhões de habitantes. Esse contraste entre a extensão
física e a população que o ocupa também é uma das alegações utilizadas
para defender a partilha do Estado, já que, segundo os defensores da
divisão, esta situação vem dificultando o aproveitamento das riquezas
naturais da Amazônia e a maior integração econômica da região com o
desenvolvimento do restante do país.
O território do Pará abriga em seu
subsolo extensas jazidas minerais: é o maior exportador mundial de
minério de ferro, o 3º maior produtor internacional de bauxita,
significativo produtor de caulim (o de melhor qualidade do mercado para
papéis especiais) e de alumínio, e possui crescente participação em
cobre e níquel, além de ouro. Com a exploração desses recursos, o Pará
se tornou o 2º Estado que mais fornece divisas ao Brasil, transformou-se
no 5º maior produtor de energia (e o 3º maior exportador de energia
bruta) do Brasil, o 2º maior minerador nacional e no 5º maior exportador
geral do pais. De cada 10 dólares recolhidos pelo Banco Central, 70
centavos são provenientes do Pará.
Em compensação, essa riqueza não tem
sido revertida para a melhoria das condições de vida de sua população,
pois o estado é o 16º em desenvolvimento humano e o 21º em PIB/per
capita, amargando o título de um dos mais pobres da federação. Em outras
palavras, as riquezas produzidas pelo povo paraense beneficiam somente
as mineradoras, o agronegócio, os latifundiários e os políticos
corruptos, enquanto sua população sofre de doenças graves, de miséria e
pobreza extremas, além de ser uma das regiões mais violentas do mundo.
Essa situação não é vivida apenas por quem mora nas regiões Oeste e Sul
do Estado, mas se apresenta nos grandes bolsões de miséria da Região
Metropolitana de Belém e das cidades que têm na sua atividade principal a
exploração de minérios, como Marabá e outras localizadas na região Sul
do Estado.
Divisão pode aumentar devastação da Amazônia
Do ponto de vista ambiental os impactos
poderão ser ainda maiores. A criação de um possível Estado do Tapajós
acarretaria o fim da lei que determina a existência de unidades de
conservação nas áreas de florestas virgens milenares, lei que atualmente
vigora no Pará, proibindo as derrubadas e o desmatamento da floresta,
garantindo a preservação da fauna e da flora, o equilíbrio e a
diversidade da Amazônia.
O surgimento do novo Estado do Tapajós
traria junto a discussão de promover o “desenvolvimento” numa região com
pouca densidade demográfica e extensa área de florestas nativas. No
lugar da floresta, plantação de soja e gado: essa seria a atividade
econômica a ser desenvolvida no novo Estado. Além disso, Tapajós ficaria
com a produção de energia, já que na região Oeste estão localizados
extensos rios. Pela proposta de divisão do Pará, o Tapajós teria como
sua principal base econômica o setor energético – que inclui a Usina de
Belo Monte e o complexo hidrelétrico Tapajós.
Para derrotar o projeto de divisão,
milhares de pessoas estão se mobilizando e se preparando para a campanha
eleitoral. Os segmentos políticos da burguesia vêm promovendo uma
campanha despolitizada, colocando como centro do debate o regionalismo e
suas variantes. Até o momento, essas questões econômicas e os
interesses das mineradoras, dos latifundiários e do agronegócio não
entraram na pauta; cabe aos movimentos sociais e populares levantar
esses temas e organizar mobilizações para defender um Pará com justiça
social, em favor dos trabalhadores e contra a espoliação de mineradoras e
latifundiários.
Fernando Alves, Redação
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Adeus, Sócrates!
Do DCE/UFRPE
O povo Brasileiro e os estudantes estão de luto pelo falecimento de Sócrates (médico formado na USP e ex-jogador da seleção Brasileira) durante a madrugada deste domingo 04 de Dezembro, após ser vítima de choque séptico. Sua vida foi marcada pela construção da democracia Corinthiana e na luta pelas "Diretas já". Avançado politicamente, e grande jogador que foi, deixou ao povo brasileiro suas últimas opiniões sobre a copa do mundo, o esporte amador e a necessidade de uma sociedade mais justa.
Confira
abaixo sua última entrevista, concedida orgulhosamente ao DCE-UFRPE, no
dia 16 de Novembro de 2011, feita por Yuri Pires (1ºVice-Presidente da
UNE), e que está no jornal do DCE-UFRPE deste mês:
YP
- Na sua opinião, porque há tanto investimento para a construção de
estádios para a Copa 2014, e quase nenhum para o desporto amador no
Brasil?
Sócrates -
Construir é onde se pode manipular mais recursos. Por isso se levantam
tantos equipamentos esportivos. Investir em educação ninguém quer.
YP
- Recentemente o Deputado Federal Romário fez um discurso denunciando a
questão das desapropriações de famílias pobres para a construção das
obras da copa. Qual sua opinião sobre o tema?
Sócrates - Tudo o que está sendo e será feito passa ao largo da cidadania.
YP
- Talvez a experiência mais coletiva do futebol brasileiro tenha sido a
democracia Corinthiana. O futebol é um esporte coletivo. Porque hoje
vivemos um individualismo cada vez maior no futebol, chegando às vezes
ao cúmulo de se criarem panelinhas para queimar tal ou qual jogador?
Sócrates -
O individualismo está presente em toda a nossa sociedade. Poucos se
preocupam com o bem estar coletivo e isso só favorece a manutenção do
atual status social.
YP
- Sobre a meia entrada nos jogos da Copa do Mundo 2014, a FIFA é
contra, mas nos estados onde se realizarão os jogos, existem leis que
obrigam os empresários do setor a conceder meia entrada para estudantes.
Qual a sua opinião?
Sócrates -
Quando assumimos a realização da Copa também assinamos uma série de
quesitos que provavelmente não foram lidos. Uma das questões é essa e
agora deve ser resolvida sem que percamos nossa autonomia. Não
deveríamos estar discutindo isso, mas também sendo um evento privado não
deveria utilizar recursos públicos ao contrário do que está
acontecendo. Está tudo errado assim como os mais lúcidos esperavam. Só
não sabia quem não queria ver o que ocorreria.
Doutor
Sócrates, 57 anos, médico, ex-jogador da seleção brasileira e líder da
democracia corintiana. Faleceu neste dia 04 de Dezembro de 2011, e é com
grande pesar o Diretório Central dos Estudantes Odijas Carvalho de
Souza (DCE-UFRPE) noticia seu falecimento. Gostaríamos de agradecê-lo
pela entrevista concedida e pelo seu exemplo de crítica social e
desejamos aos seus familiares saudações de apoio pela perda desse grande
cidadão, jogar e médico Brasileiro.
-------------------------------------------------------------------------------------
“Quanto ao Fidel Castro, símbolo da
Revolução Cubana, como Che Guevara, as pessoas estão mal informadas. No
nosso país se conhece muito pouco o que acontece fora daqui e mesmo
aqui dentro. A estrutura política cubana é extremamente democrática. Eu
queria que meu filho nascesse lá, eu queria ser um cubano. Nós estivemos
lá agora, nós fomos passear! Peguei minha mulher e fui lá, passear,
curtir lampejos de humanidade. Um povo como aquele, numa ilhota, que há
mais de 60 anos briga contra um império, só pode ser muito forte, e
ditadura alguma faz um povo tão forte. Ditadura não é tempo de serviço,
necessariamente é qualidade de serviço. Em Cuba, o povo participa de
tudo, em cada quarteirão. E aqui? Pra quem você reclama? Você vota e não
tem pra quem reclamar.”
Doutor Sócrates, 57 anos,
médico, ex-jogador da seleção brasileira e líder da
democracia corintiana na Folha de S. Paulo em 27/08/2011.
sábado, 3 de dezembro de 2011
EU LAGO, SOU
Vaidade, não faz meu jeito,
Erro, sim, mas sem malícia
Que nasceu morto o perfeito
Só uma vaidade eu aceito:
Dar certo medo à polícia.
Mas no dito não se veja
Orgulho certo ou pretenso.
Não medo do homem que eu seja,
E, sim, daquilo que penso.
No horizonte finquei seta
E pra este norte caminho
Nem sempre é uma linha reta
Nem sempre há vez pra carinho
Quem escolhe estrada de espinho
Não tem caminhada quieta.
Só vivo pra uma verdade,
Da qual me orgulho sem pejo:
Nunca trocar por vaidade
O que pretendo ou desejo.
Não tenho orgulho de berço
Nem local de nascimento.
Meu céu é onde converso
Meu chão é onde me sento.
Busco, sim, entendimento
Em samba, fuzil ou terço.
Pra mim, o tempo não acaba
Nem a recusa me ofende.
Palavra puxa palavra...
Um dia, a gente se entende.
Santo, não sou, nem pensando,
Santidade é castração
Se a vida vive se dando
Não sou eu que digo não
Mas minha será a opção
Quanto ao onde, como e quando.
Penso assim e não assado
Quero assado e não assim
E o rumo, uma vez traçado,
Vai nesse rumo até o fim.
Muito deixei do vivido
Muito perdi sem ter ganho
Mas sem chorar de sentido
De achar injusto ou estranho
Pois o mundo é sem tamanho
Pra quem dá passo escolhido.
Ao afastar me habituo
Mas gente me acusa e pensa
Que a tristeza do recuo
É orgulho de indiferença
Jamais escolho o que digo
Se é pros do peito que falo
Eu, por mim, só escuto amigo
No que é alegria ou regalo
Se falam mal, não me abalo
De irmão não me vem castigo
Amigo, já diz o velho ditado
É aquele diante de quem
Se dorme sem ter cuidado.
Da vida escolho o que presta
Se erro na escolha, paciência,
Não mudo em luto uma festa
Por um erro em sã consciência.
Nada me amarga a existência
Que é o pouco mais que me resta
Se a erva-doce era amarga,
Mas por doce foi tomada,
O coração ponho à larga,
E me rio da mancada.
Não é o mundo que eu queria
Nem a vida que sonhei.
Vida de paz e alegria
Num mundo de uma só lei.
Mas me ensinaram, e guardei,
Que após um dia, há outro dia.
E rindo como poeta
Que o riso é minha saúde
Fiz da alegria, meta
Fiz da esperança, virtude.
Erro, sim, mas sem malícia
Que nasceu morto o perfeito
Só uma vaidade eu aceito:
Dar certo medo à polícia.
Mas no dito não se veja
Orgulho certo ou pretenso.
Não medo do homem que eu seja,
E, sim, daquilo que penso.
No horizonte finquei seta
E pra este norte caminho
Nem sempre é uma linha reta
Nem sempre há vez pra carinho
Quem escolhe estrada de espinho
Não tem caminhada quieta.
Só vivo pra uma verdade,
Da qual me orgulho sem pejo:
Nunca trocar por vaidade
O que pretendo ou desejo.
Não tenho orgulho de berço
Nem local de nascimento.
Meu céu é onde converso
Meu chão é onde me sento.
Busco, sim, entendimento
Em samba, fuzil ou terço.
Pra mim, o tempo não acaba
Nem a recusa me ofende.
Palavra puxa palavra...
Um dia, a gente se entende.
Santo, não sou, nem pensando,
Santidade é castração
Se a vida vive se dando
Não sou eu que digo não
Mas minha será a opção
Quanto ao onde, como e quando.
Penso assim e não assado
Quero assado e não assim
E o rumo, uma vez traçado,
Vai nesse rumo até o fim.
Muito deixei do vivido
Muito perdi sem ter ganho
Mas sem chorar de sentido
De achar injusto ou estranho
Pois o mundo é sem tamanho
Pra quem dá passo escolhido.
Ao afastar me habituo
Mas gente me acusa e pensa
Que a tristeza do recuo
É orgulho de indiferença
Jamais escolho o que digo
Se é pros do peito que falo
Eu, por mim, só escuto amigo
No que é alegria ou regalo
Se falam mal, não me abalo
De irmão não me vem castigo
Amigo, já diz o velho ditado
É aquele diante de quem
Se dorme sem ter cuidado.
Da vida escolho o que presta
Se erro na escolha, paciência,
Não mudo em luto uma festa
Por um erro em sã consciência.
Nada me amarga a existência
Que é o pouco mais que me resta
Se a erva-doce era amarga,
Mas por doce foi tomada,
O coração ponho à larga,
E me rio da mancada.
Não é o mundo que eu queria
Nem a vida que sonhei.
Vida de paz e alegria
Num mundo de uma só lei.
Mas me ensinaram, e guardei,
Que após um dia, há outro dia.
E rindo como poeta
Que o riso é minha saúde
Fiz da alegria, meta
Fiz da esperança, virtude.
Mário Lago
Homenagem do verbaLIRAndo ao centenário de Mário Lago
Homenagem do verbaLIRAndo ao centenário de Mário Lago
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Dia nacional do Samba
No dia nacional do Samba presto uma homenagem ao grande sambista Donga (Ernesto dos Santos) que foi responsável pelo primeiro samba a ser gravado no Brasil, nos tempos idos de 1917.
"Pelo telefone" é o nome do samba.

O Chefe da polícia
Pelo telefone manda me avisar
Que na carioca tem uma roleta para se jogar
O Chefe da polícia
Pelo telefone manda me avisar
Que na carioca tem uma roleta para se jogar
Ai, ai, ai
Deixe as mágoas pra trás, ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verás
Ai, ai, ai
Deixe as mágoas pra trás, ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verás
Tomara que tu apanhes
Pra nunca mais fazer isso
Roubar amores dos outros
E depois fazer feitiço
Olha a rolinha, Sinhô, Sinhô
Se embaraçou, Sinhô, Sinhô
Caiu no lago, Sinhô, Sinhô
Do nosso amor, Sinhô, Sinhô
Porque este samba, Sinhô, Sinhô
É de arrepiar, Sinhô, Sinhô
Põe perna bamba, Sinhô, Sinhô
Mas faz gozar, Sinhô, Sinhô
E pra quem quiser ouví-la disponibilizo o link onde Beth Carvalho em comemoração de seus 40 anos de carreira canta esta pérola com a viúva de Donga, a vó Maria. Pelo telefone
E pra quem mora em João Pessoa poderá comemorar esta logo mais às 20 horas na Feirinha de Tambaú onde o grupo Pura Raiz irá se apresentar. Uma boa opção!
"Pelo telefone" é o nome do samba.

O Chefe da polícia
Pelo telefone manda me avisar
Que na carioca tem uma roleta para se jogar
O Chefe da polícia
Pelo telefone manda me avisar
Que na carioca tem uma roleta para se jogar
Ai, ai, ai
Deixe as mágoas pra trás, ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verás
Ai, ai, ai
Deixe as mágoas pra trás, ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verásTomara que tu apanhes
Pra nunca mais fazer isso
Roubar amores dos outros
E depois fazer feitiço
Olha a rolinha, Sinhô, Sinhô
Se embaraçou, Sinhô, Sinhô
Caiu no lago, Sinhô, Sinhô
Do nosso amor, Sinhô, Sinhô
Porque este samba, Sinhô, Sinhô
É de arrepiar, Sinhô, Sinhô
Põe perna bamba, Sinhô, Sinhô
Mas faz gozar, Sinhô, Sinhô
E pra quem quiser ouví-la disponibilizo o link onde Beth Carvalho em comemoração de seus 40 anos de carreira canta esta pérola com a viúva de Donga, a vó Maria. Pelo telefone
E pra quem mora em João Pessoa poderá comemorar esta logo mais às 20 horas na Feirinha de Tambaú onde o grupo Pura Raiz irá se apresentar. Uma boa opção!
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