sábado, 14 de janeiro de 2012

#Charge: Solidariedade à Ocupação Pinheirinho, ameaçada de despejo iminente

O prefeito de São José dos Campos Eduardo Cury e a justiça estão decididos a despejar as mais de mil e quinhentas familias que ocupam há oito anos um terreno de propriedade do megaespeculador Naji Nahas. Caso o despejo aconteça, espera-se um desfecho trágico, já que os moradores estão se preparando para resistir a invasão da PM. A ocupação, chamada de Pinheirinho, vem recebendo apoios, inclusive do exterior.
Toda solidariedade ao moradores da Ocupação Pinheirinho.


Retirado do Latuff Cartoons

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Morre Beatriz Bandeira, sobrevivente da cela 4

Por Edivaldo Dias Oliveira
Do Direto do Rio / iG


Morreu, aos 102 anos, Beatriz Bandeira, a última sobrevivente da famosa cela 4 – onde foram presas, na Casa de Detenção, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, as poucas mulheres que participaram da revolta comunista de 1935 no Brasil.
Beatriz Bandeira Ryff, aos 35 anos, com seus filhos gêmeos (1945)

Beatriz Bandeira Ryff, aos 35 anos, com seus filhos gêmeos (1945)
Foi na cela 4 que ficaram confinadas Olga Benário (esposa do líder da intentona, Luiz Carlos Prestes), a futura psicanalista Nise da Silveira, a advogada Maria Werneck de Castro e as jornalistas Eneida de Moraes e Eugênia Álvaro Moreyra.
 
Por conta dessa passagem, Beatriz virou personagem de livros como “Memórias do Cárcere”, o relato biográfico de Graciliano Ramos, que também esteve preso por causa da revolta.

Pouco antes, como militante comunista e da Aliança Nacional Libertadora (ANL), Beatriz conheceu seu marido, Raul, que viria a ser jornalista e secretário de Imprensa do governo João Goulart (1961-1964). Com ele se casou três vezes.

Os dois foram exilados duas vezes. Em 1936, depois da libertação, foram expulsos para o Uruguai. Em 1964, após o golpe militar, receberam abrigo na Iugoslávia e, posteriormente, na França.

 Ao regressar ao Brasil, Beatriz continuou a militância política nos anos 70 e 80. Foi uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia e Liberdades Democráticas, que lutou pelo fim da ditadura no País.

Beatriz nasceu em uma família positivista. Seu pai, o coronel do exército Alípio Bandeira, foi abolicionista. Como militar, trabalhou no Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e ajudou o Marechal Cândido Rondon na instalação de linhas telegráficas no interior do País e no contato com tribos isoladas – Alípio liderou o encontro com os Waimiri Atroari em 1911, por exemplo.

Além de militante política, Beatriz foi poeta (publicou “Roteiro” e “Profissão de Fé”) e professora (foi demitida pelo regime militar da cadeira de Técnica Vocal do Conservatório Nacional de Teatro). Também escreveu crônicas e colaborou para o jornal A Manhã e as revistas Leitura e Momento Feminino. Há dez anos ela contou um pouco de sua história em uma entrevista à TV Câmara.

Beatriz morreu na noite de segunda (dia 2) após um AVC. Foi enterrada no final da tarde de hoje (dia 3) no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Uma nota pessoal

Beatriz Bandeira Ryff era minha avó. Nos últimos anos de sua vida centenária a senilidade tinha lhe tirado totalmente a visão. Ela quase não falava e mal se comunicava com o mundo.
 
Há uns dez dias, fui visitá-la levado pelo meu filho de 8 anos que queria dar um beijo na “bisa”. Encontramos ela mais presente do que em todas as visitas nos anos anteriores. Chegou a cantarolar algumas músicas que costumava embalar o sono dos netos quando pequenos, como os hinos revolucionários “Internacional”, “A Marselhesa” (embora ela também cantasse obras não políticas, entre elas a “Berceuse”, de Brahms).

Ao me despedir, perguntei-lhe se lembrava o trecho do poema “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias, que ela costumava recitar. Ela assentiu levemente com a cabeça e começou, puxando do fundo da memória. Foram suas últimas palavras para mim.
“Não chores, meu filho;Não chores, que a vidaÉ luta renhida:Viver é lutar.A vida é combateQue os fracos abate,Que os fortes, os bravos,Só pode exaltar.”(“Canção do Tamoio”, Gonçalves Dias)

Charges na rua!


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Viúva entrega lista de Prestes com 233 nomes de supostos torturadores

Escultor Cláudio Valansi mostrou réplica da escultura Cavaleiro da Esperança.
Viúva doa arquivo com 27 pastas de fotos e cartas ao Arquivo Nacional, no Rio.
 
Alba Valéria Mendonça Do G1 RJ
 
Maria Prestes assina doação de acervo do político Luís Carlos Prestes ao Arquivo Nacional (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)Numa cerimônia rápida, no Arquivo Nacional, no Rio, a viúva do político Luís Carlos Prestes, Maria Prestes fez, na tarde desta terça-feira (3), a doação de 27 pastas contendo documentos do Partido Comunista, como relatórios e manifestos, cartas pessoais para amigos e parentes e fotos de Prestes. O material, segundo ela, é uma parte do acervo do político que nos próximos meses estará disponível ao público.

O material retrata principalmente o período da década de 70, até o início dos anos 80. Entre os destaques, está o “Relatório da IV Reunião Anual do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil”, de fevereiro de 1976, onde constam os nomes de 233 supostos torturadores.

"Trata-se de um documento importante, que hoje pode até não ter mais novidade, mas que compõe o quadro de uma época, e que vai servir para a análise e questionamentos de historiadores", disse a viúva.
 
114 anos de Prestes
 
Panfleto do Partido Comunista que Prestes usou para convocar deputados aliados. (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)Ao assinar a doação, Maria destacou a data de 3 de janeiro, quando Prestes se estivesse vivo completaria 114 anos de idade e a morte de Beatriz Riffi, "uma companheira de luta no movimento pela democracia no Brasil". Beatriz foi companheira de confinamento de Olga Benário, que foi mulher de Prestes.

Na cerimônia, o colecionador Cláudio Valansi  apresentou a réplica da escultura do artista plástico Maurício Bentes, "Cavaleiro da Esperança" - como Prestes era chamado - que ficará no Arquivo Nacional. A escultura original, de 3,10 metros está na cidade de Palmas, no Tocantins.
 
Maria Prestes
 
Aos 81 anos, Maria Prestes decidiu doar os documentos de Prestes, que segundo ela, foi perseguido por 60 anos por lutar por seus ideais de um futuro melhor. Ela uniu-se a Prestes em 1951.

Foto da família Prestes de 1984  (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)"O Velho (como ela chamava Prestes) tinha uma vida pública e esse acervo pertence aos historiadores e ao povo brasileiro, para que conheçam Prestes melhor", disse a viúva, lembrando que o marido, apesar de sua intensa militância política, era um homem que amava sua família.

"Ele não tinha só o lado político, tinha um lado humano, de bom pai, bom marido, que fazia questão de ter a família reunida no almoço e jantar", contou Maria.

Prestes teve nove filhos com ela, além de Anita Leocádia, filha que teve com Olga Benário, a primeira mulher. Ele teve também 24 netos e nove bisnetos.
 
Cavaleiro da Esperança
 
Réplica do Cavaleiro da Esperança, uma homenagem a Luis Carlos Prestes (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)Luís Carlos Prestes, conhecido como "O Cavaleiro da Esperança", quando liderou a coluna de rebeldes que por dois anos e cinco meses percorreu 25 mil quilômetros pelo país, nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 3 de janeiro de 1898. Morreu no Rio de Janeiro em 7 de março de 1990, aos 92 anos.
Em 1934, depois de uma temporada na antiga União Soviética, volta ao Brasil como clandestino acompanhado de Olga Benário, e começa sua militância no Partido Comunista.
Em março de 1936, Prestes foi preso e cumpriu pena de nove anos. Sua companheira Olga Benário, grávida, foi deportada e morreu numa câmara de gás num campo de concentração nazista.
Anita Leocádia Prestes nasceu em uma prisão na Alemanha, mas foi resgatada pela mãe de Prestes, após intensa campanha internacional.
 
(Fotos: Alba Valéria Mendonça/G1)

domingo, 1 de janeiro de 2012