sábado, 12 de maio de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Comissão de familiares de mortos e desaparecidos políticos ao Min. da Justiça
Excelentíssimo Senhor
Doutor José Eduardo Cardoso Ministro
Digníssimo Ministro da Justiça
Senhor Ministro,
A
Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos da Ditadura
Militar foi tomada de triste surpresa com a notícia que saiu nos jornais
da grande imprensa de que um dos possíveis integrantes do aparato
repressivo, Sr. Cláudio Guerra, segundo sua própria confissão, foi
responsável pela morte e desaparecimento dos corpos de, pelo menos, 12
presos políticos, além de lideres camponeses e vitimas de grupos de
extermínio.
Alguns,
por volta de dez, foram incinerados num forno de uma Usina na cidade de
Campos, Estado do Rio de Janeiro, o que até nos faz lembrar o
holocausto ocorrido na 2ª. guerra mundial, no qual os nazistas mandavam
para os fornos, para morrerem incinerados, milhões de pessoas por serem
judeus, comunistas, ciganos, entre outros.
A
noticia estarrecedora vem acompanhada de nomes já conhecidos da
repressão política, como o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra
(comandante do DOI-CODI do 2º. Exército) e outros mais. Até a morte de
um dos mais terríveis torturadores do país, Sérgio Paranhos Fleury,
delegado do DOPS de São Paulo foi um assassinato tramado nos bastidores
da Comunidade de Informações coordenado por aquele Coronel e realizado
pelos integrantes do CENIMAR (Centro de Informações da Marinha), segundo
as denúncias deste senhor Claudio Guerra.
Mais
uma vez os familiares de desaparecidos são atingidos e enxovalhados por
informações de um policial sobre seus parentes, cujos restos mortais
jamais lhes foram entregues, o que lhes faz sofrer ainda mais. Sempre
que se fala dos nomes de seus parentes desaparecidos com relatos sobre
como teria sido o seu fim, os familiares transbordam sua dor e lamentam
não terem informações oficiais e concretas.
O
descaso das autoridades machuca ainda mais as feridas abertas que
sangram até o presente momento. Serão verdadeiras as informações? Fica,
mais uma vez, a pergunta sem resposta. A dúvida persegue os familiares
que não obtiveram a resposta definitiva e contundente do estado
brasileiro até os dias de hoje. E perguntamos: até quando iremos
conviver com essa dúvida, com a falta de esclarecimentos sobre o fim de
cada um dos desaparecidos políticos? Até quando o estado brasileiro vai
nos negar o direito à verdade e à justiça?
Imagine
Vossa Excelência, como ficam parentes do dirigente comunista David
Capistrano e seu companheiro de militância política, José Roman, da
professora da Universidade de São Paulo, da Escola de Química, Ana Rosa
Kucinski, que teria sido estuprada antes de ser morta juntamente com seu
esposo, Wilson Silva, por seus algozes ou, de Fernando Augusto de Santa
Cruz, desaparecido desde 24 de fevereiro de 1974, cujo cadáver teria
sido incinerado, conforme as informações do policial?
Enfim,
imagine Vossa Excelência, como fica a sociedade brasileira, frente a
dor dos familiares que recebem tais denúncias sem que as autoridades do
poder publico digam-lhes uma palavra de solidariedade, uma palavra de
ânimo, uma palavra que lhes fortaleça e que lhes faça acreditar que
saberão toda a verdade. Muito menos ouvimos uma palavra que indique a
vontade política de apurar tais crimes.
Reiteramos,
portanto, que nos causou muita tristeza e dor não ter tido nenhuma
manifestação política no sentido de enfrentar a questão por parte do
governo federal. Afinal é papel do estado e de seus governantes apurar
crimes como estes. Nossos familiares tombaram por todo o povo brasileiro
que vivia sob uma ferrenha ditadura militar, sem voz, sem direito a se
organizar e participar, sem liberdade e sem justiça.
Estranhamos
o silêncio dos governantes, neste momento, porque afinal, temos tantas
pessoas do governo que também conheceram de perto e foram vitimas das
atrocidades da ditadura militar.
O
que podemos dizer-lhe é que seguiremos em busca da verdade e da justiça
em que pese a omissão dos governantes que, muitas vezes, nos deixam
ainda mais cheios de dor e tristeza.
Gostaríamos
que fossem tomadas todas as medidas cabíveis de forma imediata. A nossa
espera tem sido longa demais. Diante de afirmações como estas do
policial, o que podemos fazer, nós familiares de mortos e desaparecidos
políticos?
Atenciosamente,
Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos
Em 03 de maio de 2012
Ditadura tentou matar Brizola e culpar Igreja Católica
Assassinato não aconteceu, mas Cláudio Antônio Guerra revela que se disfarçou de padre durante ação contra ex-líder de esquerda
Por: Tales Faria e Wilson Lima, colaborou Adriano Ceolin, iG Brasília
03/05/2012
O ex-delegado do DOPS (Departamento de
Ordem Político Social) do Espírito Santo, Cláudio Antônio Guerra, revela
no livro “Memórias de uma Guerra Suja” que se disfarçou de padre para
tentar assassinar Leonel Brizola, fundador do PDT e um dos líderes da
resistência contra a ditadura militar. O disfarce era uma estratégia
para responsabilizar a Igreja Católica pelo atentado.
Segundo Guerra, a operação foi comandada
pelo coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço Nacional de
Informações – SNI) e pelo comandante Antônio Vieira (Centro de
Informações da Marinha – Cenimar). “Os militares também andavam muito
aborrecidos com a Igreja Católica, que estava se alinhando à esquerda,
pela abertura política”, afirma Guerra. Perdigão e Vieira também estavam
à frente do atentado ao Riocentro.
Guerra levava também uma pasta com um
revólver calibre 45. A arma era a preferida dos cubanos. A intenção
também era ligar o governo de Fidel Castro ao assassinato. “Eu me lembro
do boato de que Fidel Castro estava aborrecido por Brizola ter ficado
com o dinheiro enviado por Cuba para financiar a guerrilha do Caparaó (o
primeiro movimento de luta armada contra a ditadura militar). Os
militares estimulavam esses boatos nos quartéis e entre nós”, revela
Guerra. “Com o retorno de Brizola, os comentários sobre o dinheiro de
Fidel apareciam aqui e ali”.
“O objetivo (do atentado) era implicar a
Igreja Católica – resolveríamos dois problemas de uma vez só – e
envolver os cubanos, insatisfeitos com a suspeita de desvio de verba
para a guerrilha do Caparaó; daí a arma calibre 45”, aponta. “O
objetivo, como sempre, era tumultuar o processo de redemocratização do
Brasil”, reafirma o ex-delegado em depoimento ao jornalistas Rogério
Medeiros e Marcelo Netto no livro que acaba de ser publicado pela
editora Topbooks.
A tentativa de assassinato ocorreu quando
Brizola morava em Copacabana, no Rio de Janeiro. A data é incerta.
Guerra conta que foi entre “a chegada dele do exílio, em 1979 e antes da
demissão do chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva” em 1981. O
ex-delegado afirma no livro que se hospedou no Hotel Apa, na rua
República do Peru. O hotel existe até hoje. Ele se registrou com
identidade e CPF falsos, concedidos pela Secretaria de Segurança Pública
do Rio de Janeiro na época. “Quando precisava incorporar um personagem
para realizar uma missão, eles forneciam tudo: CPF, identidade, tudo”,
relata.
O ex-delegado revela no livro “Memórias de
uma Guerra Suja” foi até a porta do prédio onde Brizola montado na
garupa de uma moto conduzida pelo tenente Molina, um militar do Cenimar.
Normalmente o líder de esquerda saía de casa “um pouco antes do
meio-dia”, pelas informações do SNI repassadas ao ex-delegado do DOPS.
Naquele dia, Brizola não desceu e o atentado foi abortado. “Havia o
interesse da comunidade de informações em eliminar Brizola, só que
depois houve um retrocesso, uma mudança”, afirma Guerra.
Brizola sofreu uma tentativa de
assassinato no Hotel Everest, no Rio de Janeiro, em 18 de janeiro de
1980, quatro meses depois de chegar do exílio. Uma bomba foi deixada na
porta do apartamento do líder de esquerda mas desativada em seguida.
Exército Vermelho salva a humanidade do monstro nazifascista
O sol nasce vermelho
Algo novo, entretanto, surgiu durante a
1ª guerra mundial: a revolução socialista de outubro de 1917, na Rússia;
nova cisão ocorria no mundo, agora dividido em dois sistemas adversos: o
capitalismo e o socialismo.
Os dois blocos capitalistas passaram a
ter um objetivo comum: a destruição do primeiro estado operário-camponês
da história, em vista da restauração do capitalismo em escala global.
Esse fim é que levou o bloco vencedor, especialmente os EUA, a investir
na economia alemã 15 bilhões de marcos em seis anos (1924-1929).
Quando o hitlerismo se firma na Alemanha
e explicita seu intento de domínio mundial, as potências capitalistas
dominantes não tratam de combatê-lo. Ao contrário, fecham os olhos às
suas agressões e até incentivam o monstro nazista a direcionar seu
ataque para a União Soviética (URSS).
Em 1939, a URSS propôs a Inglaterra e
França um pacto para ações militares conjuntas se os países do Eixo
(Alemanha, Itália e Japão), bloco nazifascista, iniciassem a guerra na
Europa. Não houve rejeição formal, mas nenhum passo foi dado por parte
dos países capitalistas para concretizar o pacto. Ao contrário, França e
Inglaterra firmaram com Alemanha e Japão acordos de não-agressão.
Deixada sozinha, em agosto de 1939, a URSS assinou com a Alemanha um
tratado de não-agressão. Os dirigentes sabiam que mais cedo ou mais
tarde Hitler romperia o acordo, mas conseguiram ganhar algum tempo para
reforçar melhor sua capacidade de defesa.
De 1938 a 1941, Hitler ocupou Áustria,
Checoslováquia, Polônia, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, Grécia,
Iugoslávia e finalmente a própria França. Na Europa central e
oriental, a Alemanha fascista adquiriu imensa quantidade de material de
combate, freios de transporte, matéria- prima e materiais estratégicos,
tornando-se forte o suficiente para atacar a URSS.
Hitler,
no livro Mein Kampf proclamara: ”…tratando-se de obter novos
territórios na Europa,deve-se adquiri-los principalmente á custa da
Rússia”.
A invasão hitlerista foi impiedosa.
’’Fuzilavam em massa as pessoas (mulheres, crianças, idosos, montavam
campos de morte, deportavam para trabalho forçado na Alemanha. Por onde
passavam, não deixavam pedra sobre pedra’’. Era a política do
extermínio. “Eu tenho o direito de destruir milhões de homens de raça inferior que se multiplicam como vermes’’ (Hitler).
Em resposta, o governo, o PCUS, o povo soviético lançou a palavra de ordem: ’’Morte aos invasores fascistas, tudo para a frente! Tudo para a vitória!“
Às fileiras do Exército Vermelho se integraram milhões de homens.
Criaram-se também inúmeros regimentos de milícia popular contando 2
milhões de combatentes.
Formou-se, ainda na retaguarda uma força
guerrilheira massiva. A dedicação e bravura do povo soviético comoveram
o mundo e foram decisivas para quebrar a resistência capitalista
(EUA,Inglaterra,França). Formou-se finalmente o bloco aliado,
antifascista, a frente única dos povos pela democracia.
Caíra por terra a idéia de Hitler de que
a ocupação da URSS seria um passeio uma ‘’guerra relâmpago’’ Os nazis
não imaginavam a resistência que encontrariam nas principais cidades:
Leningrado, Stalingrado, Kiev e Moscou, entre tantas. Homens, mulheres,
idosos e crianças ergueram-se como muralha inexpugnável.
Os feitos do povo soviético repercutiram no mundo inteiro, levando um jornal burguês como o STAR, de Washington, a publicar: ”Os
sucessos da Rússia na luta contra a Alemanha hitleriana revestem-se de
grande importância não só para Moscou e o povo russo, como também para
Washington, para o futuro dos Estados Unidos. A história renderá
homenagens aos russos por terem suspendido a guerra relâmpago, pondo em
fuga o adversário”.
Em junho de 1942, os invasores avançam,
mas encontram uma barreira instransponível em Stalingrado. Durante
quatro meses de combate, os invasores perderam 700.000 soldados e
oficiais, mais de mil tanques, 2 mil canhões e morteiros, 1.400 aviões.
Os invasores eram tecnicamente superiores, mas em novembro de 1942, os
números já se invertiam em favor dos soviéticos. Os alemães estavam com
6.200.000 soldados, os soviéticos com 6.600.000; 5.000 tanques invasores
contra 7.000 soviéticos; 51.000 peças e morteiros contra 77.000.
Na derrota do Stalingrado, os nazis perderam 1,5 milhões de soldados e oficiais. ’’…
Do ponto de vista moral, a catástrofe que o exército alemão sofreu nos
acessos de Stalingrado teve um efeito sob o peso do qual ele não pôde
mais reerguer-se’’ (A segunda guerra mundial, B.Lideel Hart).
Depois, ocorreu a vitória do Cáucaso e
se iniciou processo de expulsão em massa dos ocupantes nazistas. ’’A
União Soviética pode orgulhar-se das suas heróicas vitórias”, escreveu o
presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, acrescentando: “…os russos matam mais soldados inimigos e destroem mais armamentos do que os outros 25 estados das Nações Unidas no conjunto”.
O final de 1943 marca a virada na frente
soviética e na Segunda Guerra em geral. O movimento contra o
nazifascismo consolidou-se e ampliou-se em todo o planeta. A guerra
estava decidida, embora os hitleristas ainda tenham resistido um ano e
meio.
Em junho de 1944, com o exército nazi
batido em todas as regiões da URSS, as tropas anglo-americanas
desembarcaram no Norte da França, dando início à 2ª frente proposta pelo
governo soviético desde o início da invasão.
Pode-se dizer que a essa altura a guerra
estava decidida, diante da derrota alemã na Rússia. O próprio Winston
Churchil, primeiro-ministro britânico, reconhece o papel fundamental dos
soviéticos, no discurso pronunciado na Câmara dos Comuns em julho de
1944: ’’… Considero meu dever reconhecer que a Rússia mobiliza e
bate forças muitíssimas maiores que as enfrentadas pelos aliados no
Ocidente, que há longos anos, ao preço de imensas perdas ela suporta o
principal fardo da luta em terra’’.
Um Exército Libertador
Apesar de imensas perdas, o Exército
Vermelho avançou no encalço dos alemães pela Europa Oriental a dentro,
fustigando os nazistas e auxiliando as forças populares da resistência a
derrotarem os ocupantes e seus colaboradores internos. Repúblicas
democrático-populares foram instaladas com os partidos comunistas à
frente na Polônia, Hungria, Iugoslávia, Checoslováquia, Romênia,
Bulgária.
“Para Berlim’’! Era a palavra de ordem do exército libertador. Não foi um passeio. A resistência nazista, embora enfraquecida, produzia encarniçados e sangrentos combates.
“Para Berlim’’! Era a palavra de ordem do exército libertador. Não foi um passeio. A resistência nazista, embora enfraquecida, produzia encarniçados e sangrentos combates.
Os russos vitoriosos, não mataram, não
pilharam, não se vingaram dos crimes cometidos pelo exército alemão no
solo soviético. Ao contrário, alimentaram os famintos, organizaram a
assistência médica, o funcionamento dos transportes, a distribuição de
água e de energia elétrica. A 2 de maio de 1945, o Comando Supremo
alemão assinou o ato de capitulação incondicional das forças armadas.
Sob novos céus
Terminada a guerra na Europa, era
preciso voltar-se para a Ásia. O Japão, aliado dos nazistas dominavam
milhões de pessoas na China, na Coréia, nas Filipinas. Apesar de as
forças armadas dos EUA e da Inglaterra vir imprimindo sucessivas
derrotas, as forças japonesas ainda eram numerosas e fortes. De vez em
quando, elas atacavam as fronteiras da URSS e torpedeavam navios
soviéticos em alto-mar.
No dia 8 de maio de 1945, a União
Soviética declarou guerra ao Japão e começou a ofensiva de 8 para 9 de
agosto. Nesse mesmo dia, o primeiro-ministro japonês, Teiichi Suzuki
afirmou: “…A entrada da URSS na guerra hoje de manhã põe-nos definitivamente numa situação sem saída e torna impossível continuar a guerra”.
Estava certo. No final do mês, o Exército nipônico havia perdido 677
mil soldados e oficiais: 84 mil mortos e 593 mil prisioneiros.
Ao contrário do que muitos pensam, e a
historiografia burguesa busca difundir, não foram as bombas
estadunidenses lançadas no início de agosto contra Hiroshima e Nagasaki
que provocou a capitulação japonesa. A guerra continuou normalmente
depois do ataque bárbaro e covarde. A rendição resultou do destroçamento
do exército nipônico pelas tropas soviéticas.
Se alguém duvida, leia o testemunho do general Chenault, que chefiou as forças dos EUA na China: “…A
entrada da URSS na guerra contra o Japão foi o fator decisivo para o
fim da guerra no Pacífico, o que sucederia mesmo sem o emprego de bombas
atômicas. O rápido golpe desferido pelo Exército Vermelho sobre o Japão
fechou o cerco que pôs finalmente o Japão de joelhos”.
O Exército Vermelho contribuiu ainda
para a expulsão dos nazistas da China e da Coréia. O sacrifício do povo
soviético foi inestimável. Mas valeu a pena porque livrou a Humanidade
da besta nazista. Foi também a vitória do socialismo que saiu da Segunda
Guerra triunfante em toda a Europa Oriental e na China.
Por todos, valeu a carta de agradecimento enviada pelo povo coreano a José Stalin, comandante supremo das forças soviéticas: “…Os
combatentes soviéticos chegaram não como conquistadores, mas como
libertadores. Emancipada da escravidão, a nossa pátria respirou
livremente. O céu apareceu-nos radioso. A nossa terra floresceu.
Jorraram canções de liberdade e felicidade…”
José Levino, historiador - contribui mensalmente com a contracapa do Jornal A Verdade
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