sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Preciso Me Encontrar

 
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
sorrir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
sorrir prá não chorar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
sorrir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
sorrir prá não chorar...

Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir prá não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
sorrir prá não chorar...

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

E no país da ditadura,rs: Eleições em Cuba: quem indica os candidatos é o povo!

Por Vania Barbosa
Artigo publicado originalmente no Jornalismo B Impresso
Desvinculado do modelo partidarista o sistema eleitoral cubano possibilita o exercício livre da cidadania com a escolha dos candidatos pelos próprios eleitores, o que incentiva o alto índice de comparecimento às eleições, mesmo que o voto não seja obrigatório. Para concorrer não é necessário que o candidato seja filiado a qualquer partido político.
De acordo com o estabelecido na Constituição da República e na Lei Eleitoral nº 72, de 29 de outubro de 1992, o Conselho de Estado de Cuba convocou, no último 5 de julho, eleições gerais para delegados às Assembleias Municipais, Provinciais e Nacional do Poder Popular. Em uma primeira etapa, no dia 21 de outubro os eleitores elegem, para um mandato de dois anos e meio, os delegados às Assembleias Municipais, e em 28 de outubro, em segundo turno, nas localidades onde nenhum dos candidatos tenha obtido 50% dos votos válidos mais um. Os delegados às Assembleias provinciais e à Assembleia Nacional do Poder Popular serão eleitos por um período de cinco anos, em uma nova data a ser estabelecida. Está prevista a participação de cerca de 8,5 milhões de cubanos.
Desvinculado do modelo partidarista o sistema eleitoral cubano possibilita o exercício livre da cidadania com a escolha dos candidatos pelos próprios eleitores, o que incentiva o alto índice de comparecimento às eleições, mesmo que o voto não seja obrigatório. Os candidatos não são indicados por partidos e sim pelos cidadãos maiores de 16 anos que automaticamente são inscritos no Registro Eleitoral, sem custos ou burocracia. Conforme o Artigo 3º da Lei Eleitoral, o voto é livre, igualitário e secreto, e o cidadão está protegido contra punições, multas ou sanções no trabalho caso se abstenha de votar, ao contrário do que ocorre em outros países. Os membros das Forças Armadas têm direito a votar, eleger e a ser eleitos.
Após a convocação das eleições, no início de julho, mais de 170 mil cubanos – representantes de todos os setores sociais do país – se qualificaram como autoridades eleitorais para integrar as comissões provinciais, municipais e de circunscrição que conduzem o processo de escolha dos delegados e, posteriormente, validam os resultados. Desde o último dia 3 de setembro e até o dia 29, a população participa das mais de 50.900 assembleias – organizadas também pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN) – e ali indica, abertamente, os delegados que concorrem às Assembleias Municipais e Provinciais e à Assembleia Nacional do Poder Popular, eleitos mediante voto em urna, direto e secreto.
Os encontros são realizados em cerca de 29.500 circunscrições eleitorais e cada eleitor pode indicar um candidato entre os moradores residentes na área e, inclusive, de outra área pertencente à mesma circunscrição, caso seja necessário. Seguindo a legislação eleitoral – dependendo do número de habitantes – cada área terá entre dois e oito candidatos, tudo para garantir outras opções aos votantes e a indicação de pessoas com “méritos, capacidade, condições e possibilidades de representar a população”. A circunscrição eleitoral é uma divisão territorial do município a partir do número de seus habitantes, e se constitui em célula fundamental do Sistema do Poder Popular.
Desde o dia 22 de setembro foram divulgadas as listas dos candidatos para que a população as revise e, caso necessário, solicite adequações ou emendas, através das autoridades eleitorais. As alterações poderão ser feitas até a primeira quinzena de outubro e a partir daí tem inicio os preparativos para a etapa inicial das eleições, no dia 21 do mesmo mês.
Segundo dados da CEN, desde 1976, quando entrou em vigor a atual Constituição, mais de 95 por cento dos eleitores inscritos têm participado das eleições. Nas últimas eleições para deputados votaram cerca de 8 milhões de cubanos, cifra que superou 98 por cento de participação e com baixo índice de votos nulos ou em branco. Em Cuba, o registro de eleitores para as eleições gerais 2012-2013 conta com cerca de 8,5 milhões de cubanos, em um país de 11 milhões de habitantes.
A propaganda eleitoral
Outra característica no processo eleitoral cubano é a ausência de marketing e custos com propaganda, fatores que em outros países favorecem candidatos com maior poder econômico ou implicam na necessidade de obtenção de fundos para eleger um representante. As praças e as ruas são limpas de painéis ou panfletos e os candidatos não precisam disputar ou pagar espaços nos jornais, rádios e televisões. Também não ocorrem campanhas difamatórias entre os candidatos. A propaganda é feita pelas autoridades eleitorais que são responsáveis por publicar, na área de residência dos eleitores, as foto dos candidatos – todas em um mesmo formato e tamanho – e uma síntese da sua biografia.
Para concorrer não é necessário que o candidato seja filiado a qualquer partido político e as regras são as mesmas para todos os cargos do Poder Popular. As candidaturas deverão ser antes apresentadas por alguma organização ou movimento social e submetidas à consideração da Assembleia do Poder Popular da circunscrição correspondente, além de aprovadas pelos delegados. Será considerado eleito aquele que obtenha mais da metade dos votos válidos dos eleitores. 50% das vagas são garantidas às mulheres.
Após eleger o seu representante a população participa das discussões e decisões mais importantes. Também, a qualquer momento o mandato poderá ser revogado pela maioria dos eleitores caso o eleito não cumpra com as obrigações assumidas em sua base eleitoral. Não existe remuneração para o exercício do mandato e os eleitos permanecem exercendo suas profissões e recebendo o salário correspondente ao seu trabalho.
A Composição atual do Poder Popular se dá da seguinte forma: Assembleia Nacional do Poder Popular; Assembleias Provinciais do Poder Popular, em cada uma das 15 províncias, além do município especial da Isla de la Juventud; Assembleias Municipais, nos 169 municípios; 1540 Conselhos Populares, cada um agrupando várias circunscrições eleitorais e integrados pelos seus delegados, dirigentes de organizações de massas e representantes de entidades administrativas; circunscrições eleitorais, ainda que não pertençam de forma orgânica à estrutura do sistema do Poder Popular ou do Estado são fundamentais antes e após o processo eleitoral.
O Presidente, o Conselho de Estado e o Conselho de Ministros
Tanto os membros do Conselho de Estado como os do Conselho de Ministros são indicados pelos delegados eleitos para a Assembleia Nacional do Poder Popular. Considerando o Art.74 da Constituição da República de Cuba, o Conselho de Estado é formado por um presidente, um Primeiro Vice-Presidente, cinco Vice-Presidentes e um Secretário.Para ser Presidente do Conselho de Estado é necessário antes ser eleito deputado com mais de 50% dos votos válidos, diretos e secretos da população e, em nova votação, deverá alcançar mais de 50% dos votos secretos dos parlamentares.
O Partido Comunista Cubano
Há muitas dúvidas ou distorções que pairam sobre a existência de um partido único em Cuba, o Partido Comunista Cubano, e a relação que isso tem com a democracia. De acordo com a Constituição cubana, durante o processo eleitoral o PCC não indica candidatos e nem faz campanha a favor de seus militantes. Por se diferenciar do conceito clássico de partidos políticos se mantém em sua condição de força dirigente superior da sociedade com a missão de representar os interesses de todo o povo e não somente os da sua militância.
O Partido não tem ingerência na Assembleia Nacional do Poder Popular e nem no governo, e só após consulta à população, via assembleias, apresenta propostas para serem apreciadas nestas instituições. Em processos eleitorais ocorridos até hoje já foram eleitos inúmeros militantes do PCC, indicados pelas assembleias populares em razão dos seus méritos pessoais e compromissos com a sociedade, e não pela sua militância no Partido. Um importante papel exercido pelo PCC é o de acompanhar e garantir o cumprimento das leis do país, entre elas, a Lei Eleitoral.
Vania Barbosa jornalista e presidente do Conselho Deliberativo da Associação Cultural José Martí/RS.

Campanha permanente pela carta de amor


POR Xico Sá 

A carta escrita à mão, com local de origem, data, saudações, motivos, despeço-me por aqui, papel fininho e pautado, pelos Correios, portadores ou menino de recados.

Como canta o rei Roberto, escreva uma carta, meu amor, e diga alguma coisa por favor.

Agora Beatles: Ô, mr. Postman!

Tem também aquele do Waldick Soriano, nosso Johnny Cash baiano: “Amigo, por favor leve essa carta/ e diga àquela ingrata/ como está meu coração…”

É nossa campanha permanente pela volta da carta de amor, manifesto sempre repetido neste blog.

Chega de SMS e emails lacônicos e apressados. Debruce a munheca sobre o papiro e faça da tinta da caneta o seu próprio sangue.

Não temas a breguice, o romantismo, como já disse o velho Pessoa, travestido de Álvaro de Campos, todas cartas de amor são ridículas, e não seriam de amor se ridículas não fossem.

A carta, mesmo com todas as modernidades e invencionices, ainda é o melhor veículo para declarar-se, comunicar afinidades e iniciar um feitio de orações.

O que você está esperando, vá ali na esquina, compre um belo papel e envelopes, e se devote.

Se tiver alguma rusga, peça perdão por escrito, pois perdão por escrito vale como documento de cartório.

Se o namoro ainda não tiver começado, largue a mão dessas cantadas baratas e internéticas e atire a garrafa aos mares.

Uma boa carta de amor é irresistível. Mas não vale copiar aqueles modelos que vêm nos livros. Sele o envelope com a língua, como nas antigas, lamba os selos, esse pré-beijo dos lábios da futura amada.

De novo o cliclê de Pessoa, para encorajá-los mais ainda: “As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas”.

Às moças é consentido, além dos floreios e da caligrafia mais arrumadinha, a reprodução de um beijo, com batom bem vermelho, ao final, perto da assinatura.

Que os amigos,e não apenas os amantes, se correspondam, fazendo dos envelopes no fundo do baú as suas histórias de vida.

Pela volta da carta, que já é por si só uma maneira devota, um tempo que se tira, sem pressa, para dedicar-se a quem se gosta. Pela volta da carta, pois o que se diz numa carta é de outra natureza, é o bem-querer em tom solene.

O que você está esperando, meu amigo, minha amiga, largue esse cronista de lado e debruce-se sobre a escrivaninha. Uma mesa de bar ou de um café também são bons lugares para assentar as suas mal-traçadas linhas.

Lembrei-me agora de um começo clássico de missivas: “Venho por meio desta dar-te as minhas notícias e ao mesmo tempo saber das tuas…”

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Cidade cubana recupera trajetória de Che durante a revolução

Santa Clara tem diversas homenagens ao guerrilheiro, morto há 45 anos na Bolívia

09/10/2012

Luciana Taddeo,
de Santa Clara, Cuba

  
 
  Estátua simboliza a saída do guerrilheiro para
cumprir nova missão designada a ele por Fidel Castro
Foto: Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi
 
Com a estridente buzina que alerta a aproximação do trem, a ferrovia cubana destruída em dezembro de 1958 se mantém ativa. Cheio de passageiros, o trem que conecta o leste de Cuba a Havana cumpre seu trajeto revivendo a história ao passar pelo museu a céu aberto ¨Ação contra o trem blindado¨, em Santa Clara, cidade localizada a 270 km da capital.

Quatro vagões que descarrilharam e foram atacados a tiros pelos revolucionários liderados por Ernesto Che Guevara estão expostos em uma praça construída no local do confronto, que resultou na rendição dos soldados do ditador Fulgencio Batista. Dentro de cada um, a história do evento que marcou a vida dos habitantes de Santa Clara está contada.

Em um deles, uma carta intitulada ¨Ao Povo de Santa Clara¨ avisava aos moradores que o exército rebelde já se encontrava na cidade, ¨um dos últimos redutos da tirania¨ na província. Segundo o documento, as forças revolucionárias já ocupavam a maior parte da cidade. ¨Acreditamos que dentro de breves horas poderemos anunciar aos locais e ao povo de Cuba que Santa Clara já é cidade livre¨.

¨Mas o ânimo da vitória, a satisfação e a alegria acumulada através de quase sete anos de terror não devem se desbordar em manifestações populares, já que o exército da tirania ainda ocupa posições dentro da cidade, posições das quais em breve serão desalojados¨, diz um trecho da carta, assinada pela seção provincial de propaganda do movimento revolucionário 26 de Julho.
   
   
Che e Camilo Cienfuegos no museu da revolução, em Havana, em
uma das homenagens ao argentino - Foto: Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Entre as orientações transmitidas no documento estavam a de que a população saísse de casa somente em caso de urgência, a evacuação de famílias que morassem perto de regiões conflitivas, e a prestação do maior apoio possível aos membros do exército rebelde e a organizações revolucionárias clandestinas.

¨As cartas eram impressas precariamente nas montanhas e repassadas clandestinamente aos moradores. Um lia e passava para o outro, e assim a informação ia sendo transmitida¨, explicou ao Opera Mundi Eneida López Peralta, responsável de Relações Internacionais do Partido Comunista Cubano (PCC) da província de Villa Clara, localizada no setor que, na época da revolução, era denominado Las Villas.

No museu, também está exposto um dos tratores utilizados para a deformação dos trilhos que, levantados, provocaram o descarrilamento do trem e, depois de hora e meia de combate, a subida da bandeira branca da rendição dos militares.
   
   
Imagem do museu do trem blindado, na cidade de Santa Clara, em Cuba
Foto: Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Todos os moradores da cidade têm lembranças ou relatos para contar sobre os confrontos na região naquele ano. Os mais velhos recordam momentos de tensão constante pelos bombardeiros indiscriminados do exército, em uma vã tentativa de sufocar a guerrilha. E contam como a população se uniu o Che e seus combatentes, atirando coquetéis molotov em cima e embaixo dos vagões, já que suas paredes foram previamente blindadas com chapas de metal e areia.

¨Não escutei uma grande explosão quando o trem descarrilhou, mas sim muitos tiros. Lembro de ter me escondido embaixo da cama¨, conta o aposentado santaclarenho José Socarrán, que tinha 15 anos na época do confronto, ocorrido a apenas alguns metros de sua casa.

Os mais jovens, por sua vez, reproduzem com detalhes as histórias que escutam desde pequenos, sobre a importância da cidade para o triunfo da revolução. Batista renunciaria e fugiria rumo à República Dominicana dias depois do ataque, que impediu o transporte das de armas pesadas e munições destinadas a fortalecer suas tropas, já debilitadas.

Mausoléu e homenagens

Autodenominada ¨Cidade do Che¨, Santa Clara abriga o mausoléu do revolucionário argentino e de outros combatentes mortos na Bolívia. Os restos mortais de Che chegaram a Cuba em 1997, após anos de desconhecimento sobre sua localização no país andino.

A urna com os restos mortais foi exposta inicialmente em Havana e depois transladada a Santa Clara em uma carreata que passou por diferentes cidades do país. No dia da inauguração do mausoléu, o próprio Fidel Castro ascendeu a chama da imortalidade e fez um discurso em homenagem ao Che, lembra o museólogo do local, Faustino Moriano Morales.

Dispostas em uma espécie de cova inspirada na selva boliviana, com pouca iluminação, o mausoléu pode ser visitado por grupos reduzidos. O uso de câmeras fotográficas e filmadoras não são permitidas no recinto, localizado na parte traseira a uma alta estátua do guerrilheiro, e diversos painéis esculturais no qual seus dizeres e imagens em ação são retratados.

Em frente ao mausoléu, um museu narra a vida do guerrilheiro desde sua infância, com uma réplica de sua estátua quando criança, que também pode ser vista na cidade argentina de Alta Gracia, onde Che também viveu quando era jovem, e que hoje funciona como um museu.
   
   
Histórias de combates entre Che e o exército de Fulgencio Batista são contadas
pelo povo de Santa Clara - Foto: Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

A poucos metros dali, uma escultura doada a Cuba pelo artista Casto Solano Marroyo está exposta no comitê provincial do PCC, que abrigou a segunda comandância das tropas rebeldes em Santa Clara. Repleta de mini-esculturas por todo o corpo e roupa, a obra é rica em expressões sobre a vida do revolucionário argentino.

A estátua de Che caminhando com uma criança nos braços simboliza a saída do guerrilheiro desta comandância em janeiro de 1959 para cumprir a nova missão designada a ele por Fidel Castro: ocupar Morro Cabaña, um forte localizado em Havana, que servia como uma poderosa unidade militar de Batista, e que hoje é mais um dos pontos que narram a história do revolucionário argentino em Cuba.

A poucos metros do complexo, está localizado o museu ¨Casa do Che¨, onde se exibe a urna na qual os restos mortais do guerrilheiro foram transportados até sua acomodação definitiva no mausoléu. Apesar do nome do espaço de exposição, o local não funcionou como a casa familiar do argentino, mas sim como ambiente de trabalho, com a convivência permanente dos integrantes de sua coluna rebelde.

O Museu da Revolução, instalado no lugar que funcionava como palácio presidencial até a renúncia de Batista, compila diversos retratos do revolucionário na luta rebelde. A exposição oferece uma narrativa da revolução cubana ilustrada por fotos, documentos, réplicas e elementos originais – como o barco Granma, exposto em um anexo no exterior do museu – da época.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012