quinta-feira, 4 de abril de 2013

By Latuff


Ao grande músico seresteiro, minha pequena homenagem!

No último dia 22 de março faleceu em João Pessoa, o grande músico seresteiro, Elpidio Ferreiro retratado nessa charge por Régis Soares. Perfeita charge por sinal. É desse mesmo jeito que me lembro de Elpidio encantando as pessoas tocando o que há de melhor na Música Popular Brasileira.

Fã de cantores românticos como Altemar Dutra, Orlando Silva e Nelson Gonçalves era certo escutar esse estilo de música no Bar do Baiano, localizado no bairro dos Bancários, todas as sextas feiras onde Elpidio se apresentava e dividia o espaço democraticamente com os diversos artistas que frequentam este bar.

Elpidio faleceu em decorrência de um câncer após 23 dias internado no Hospital Samaritano.

A essa altura com certeza o Bar do Baiano já deve ter sido palco de uma justa homenagem a este grande músico que já fez parceria com Dominguinhos e Sivuca.

Por aqui eu deixo minha homenagem republicando um post que fiz em julho de 2011, sobre um fato ocorrido numa dessas noites de sexta-feira no Baiano, e que ao final daquela noite o meu amigo, envolvido neste caso, ganhava um cd de Elpidio de suas próprias mãos.

Se divirtam então com o post contido abaixo! 

Golpe de estado no Baiano Bar (16 de julho de 2011)

Ontem no Baiano escutei uma pérola que toda vez que me lembro caio na risada. Um indivíduo de boa aparência, mas já um pouco alterado, por conta de algumas doses de Triunfo, tomou o microfone do grande cantor Elpídio, que religiosamente se apresenta no Baiano todas as sextas feiras, e começou a proferir um verdadeiro discurso mais ou menos assim:

...esta música que vou cantar é para aqueles que, assim como eu, tiveram um grande amor mas após 15 anos de casado levei um golpe de estado dela...

kkkkkkkkk...não me aguento. Golpe de estado foi a melhor definição que já vi de alguém que levou um grande chifre. hehe.

O nome feio, por Luiz Fernando Veríssimo


No meu tempo... Parênteses: sempre que um cronista começa a crônica com “no meu tempo” significa que está sentimentalizando sua velhice para não precisar lamentá-la, o que não interessaria a ninguém. No meu tempo, como eu dizia quando me interrompi tão rudemente, ler ou ouvir um “nome feio” fora de contexto era sempre uma felicidade.

Me lembro da minha surpresa ao descobrir que havia nomes feios nos dicionários. Agradávamos aos nossos pais, dando a impressão de que fazíamos uma pesquisa etimológica séria no dicionário, quando na verdade estávamos procurando “bunda”. No meu tempo, entre parênteses, “bunda” era nome feio.

Em Porto Alegre, há muitos anos, existia uma loja chamada Casa Carvalho. O nome da loja aparecia em letras aplicadas à sua fachada e, dependendo da sua faixa etária e da sua disposição para pensar em bobagem, você ou pertencia ao grupo que vivia em alegre expectativa do dia em que o “v” de “Carvalho” caísse, ou ao grupo mais velho que vivia em sobressalto com a possibilidade de isto ocorrer.

Que eu me lembre, o desejado ou temido nunca aconteceu e a loja chegou ao fim dos seus dias com o “Carvalho” intacto. Mas, durante toda a sua existência, apenas aquele pequeno detalhe separou o estabelecimento do vexame e a cidade de um abalo moral.

No Rio, entre Copacabana e Ipanema, existe uma rua que eu já ouvi ser chamada de “Quase, quase”. Trata-se da Bulhões de Carvalho, que depende apenas de uma letra para deixar de ser um nome de família e se transformar numa raridade anatômica. No meu tempo isto seria motivo para muita risada, mas como hoje não existe mais “nome feio”, e até em conversa de criança palavrão é usado como pontuação, perdeu a graça.

Posso imaginar um avô atual chamando a atenção do neto para a consequência de um único erro de grafia no nome da rua e o neto fazendo uma cara de “Me poupe”.

Eu e o hipotético avô acima pertencemos à última geração que espantou o Condor, o que explica nossa ingenuidade. Na apresentação dos filmes da distribuidora Condor aparecia um pássaro condor na beira de um precipício pensando em alçar voo, e era comum, era quase obrigatório, a plateia espantar o condor, que sem este incentivo jamais voaria.

Nunca mais se espantou o condor, se é que o condor ainda existe. Olha aí, acabei me lamentando.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

terça-feira, 2 de abril de 2013

By Latuff


Soneto do macho

Antônio Juraci Siqueira
Eu sou machista, sim! E não me venha
com blá-blá-blá de cunho feminista
baseado na Lei Maria da Penha
porque não me convence. E não insista!

Lá em casa não tem quem me detenha
que autoridade é assim que se conquista.
Minha mulher, coitada, até se empenha
mas, no final, tem que baixar a crista.

Quando ela faz menção de varrer casa,
de lavar louça, roupa e o que vier,
meu coração no peito explode em brasa!

Eu tomo-lhe a vassoura! Ela se arrasa
e vai olhar Tevê. Chie quem quiser
mas esse trampo não é pra mulher!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O dia da mentira

Retirado do blog Cão Uivador

Apesar da “comemoração” acontecer no dia 31 de março, a data certa é 1º de abril. Afinal de contas, trata-se da celebração de uma mentira: a de que em 1964 o Brasil foi salvo de uma “ditadura comunista” por meio de uma “revolução”.

Isso mesmo: uma revolução de direita. Alguém já tinha visto uma maluquice dessas?

Só que tem mais. O objetivo declarado dessa “revolução” conservadora era o de “defender a democracia”. Afinal, nada mais “ditatorial” do que o presidente não ser da direita: basta pensar um pouquinho no povo, que já começa a gritaria de que o governo é “comunista”, “autoritário” etc. Democrático é derrubar pelas armas um presidente eleito por um povo que “não sabe votar”, segundo esses tais “revolucionários” da direita.

A “defesa da democracia” se daria colocando um general no governo até 31 de janeiro de 1966, quando se encerraria o mandato do “ditador” João Goulart (sim, “ditador”, pois fora eleito por um povo que “não sabe votar”): em outubro de 1965, certamente o povo já teria “aprendido a votar” e assim um candidato de direita (provavelmente Carlos Lacerda, entusiasmado apoiador da “revolução”) venceria.

Mas, em 1965 o povo ainda não tinha “aprendido” (tanto que a eleição acabaria acontecendo só em 1989). Tinha de “levar mais porrada”, e se só bater não adiantasse, torturas, mortes e desaparecimentos faziam parte do script. Algo tão “democrático”, que até Carlos Lacerda acabou mudando de lado ao perceber que aquela “revolução” iniciada em 31 de março de 1964 e consolidada no dia seguinte duraria bem mais do que prometera da boca para fora.

Aliás, aquele golpe que se utilizou de uma fantasia para acabar com a democracia (já que por meio dela a direita não conseguia retomar a presidência) venceu na data que combina com ele: 1º de abril, o “dia da mentira”, também conhecido como “dia dos bobos”. Pois Lacerda não foi o único a ser enganado. Muita gente acreditou no papo de que se tratava de uma “revolução” que impediria a implantação de uma “ditadura comunista” e assim salvaria a democracia brasileira.

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Mas uma coisa também precisa ser dita: quem organizou aquilo não era nada “bobo”. Já disse uma vez que pessoas de esquerda tendem a ser mais inteligentes, por serem contestadoras; mas ao mesmo tempo, se os líderes conservadores de 1964 fossem “burros”, não teriam vencido.
Aliás, é preciso ser bem inteligente para engambelar as pessoas por quase 50 anos – sim, ainda há quem acredite que em 1964 fomos “salvos”…