"Olá,
meu nome é Ed Snowden. Há pouco mais de um mês,eu tinha família, um
lar, e vivia com muito conforto. Eu também tinha a capacidade de, sem
qualquer autorização, para procurar, tomar e ler as suas mensagens. Na
verdade, as mensagens de qualquer pessoa, a qualquer momento. Este é o
poder que mudar o destino das pessoas. Também é uma séria violação da
lei. As emendas 4 e 5 da Constituição do meu país, o artigo 12 da
Declaração Universal dos Direitos Humanos, e numerosos estatutos e
tratados proíbem tais sistemas de vigilância massiva e invasiva.Enquanto
a Constituição dos Estados Unidos assinala que estes programas são
ilegais, o meu governo argumenta que juízos de um tribunal secreto, que o
mundo não pode ver, de alguma forma legitimam esta atividade ilegal.
Estes juízos simplesmente corrompem a noção mais básica de justiça. Algo
imoral não pode se tornar moral através do uso de uma lei secreta.
(Edward Snowden, em declaração nesta sexta-feira, às 17 horas de
Moscou, e
divulgado pelo site Wikileaks.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
William Bonner, Jornal Nacional, Noam Chomsky e as técnicas infalíveis de manipulação
Não é de hoje que vários pensadores sérios estudam o mecanismo da
manipulação da informação na mídia de mercado. Um deles, o linguista
Noam Chomsky, relacionou dez estratégias sobre o tema.
Na verdade, Chomsky elaborou um verdadeiro tratado que deve ser
analisado por todos (jornalistas ou não) os interessados no tema tão em
voga nos dias de hoje em função da importância adquirida pelos meios de
comunicação na batalha diária de “fazer cabeças”.
Vale a pena transcrever o quinto tópico elaborado e que remete
tranquilamente a um telejornal brasileiro de grande audiência e em
especial ao apresentador.
O tópico assinala que o apresentador deve “dirigir-se ao público
como criaturas de pouca idade ou deficientes mentais. A maioria da
publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos,
personagens e entonação particularmente infantil, muitas vezes próxima
da debilidade, como se o espectador fosse uma pessoa de pouca idade ou
um deficiente mental. Quanto mais se tenta enganar o espectador, mais se
tende a adotar um tom infantil”.
E prossegue o artigo observando que Homer Simpson “é pai de família, adora ficar no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja, é preguiçoso e tem o raciocínio lento”
Para perplexidade dos professores que visitavam a redação de
jornalismo da TV Globo, Bonner passou então a se referir da seguinte
forma ao vetar esta ou aquela reportagem: “essa o Hommer não vai entender” e assim sucessivamente.
A tal reunião de pauta do Jornal Nacional aconteceu no final do ano
de 2005. O comentário de Noam Chomsky é talvez mais recente. É possível
que o linguista estadunidense não conheça o informe elaborado por
Laurindo Leal Filho, até porque depois de sete anos caiu no
esquecimento. Mas como se trata de um artigo histórico, que marcou
época, é pertinente relembrá-lo.
De lá para cá o Jornal Nacional praticamente não mudou de estratégia e
nem de editor-chefe. Continua manipulando a informação, como aconteceu
recentemente em matéria sobre o desmatamento na Amazônia, elaborada
exatamente para indispor a opinião pública contra os assentados.
Dizia a matéria que os assentamentos são responsáveis pelo
desmatamento na região Amazônica, mas simplesmente omitiu o fato segundo
o qual o desmatamento não é produzido pelos assentados e sim por grupos
de madeireiros com atuação ilegal.
Bonner certamente orientou a matéria com o visível objetivo de levar o telespectador a se colocar contra a reforma agrária, já que, na concepção manipulada da TV Globo, os assentados violentam o meio ambiente.
Em suma: assim caminha o jornalismo da TV Globo. Quando questionado, a
resposta dos editores é acusar os críticos de defenderem a censura. Um
argumento que não se sustenta.
A propósito, o jornal O Globo está de marcação cerrada contra o
governo de Rafael Correa, do Equador, acusando-o de restringir a
liberdade de imprensa. A matéria mais recente, em tom crítico, citava
como exemplo a não renovação da concessão de algumas emissoras de rádio
que não teriam cumprido determinações do contrato.
As Organizações Globo e demais mídias filiadas à Sociedade
Interamericana de Imprensa (SIP) raciocinam como se os canais de rádio e
de televisão fossem propriedade particular e não concessões públicas
com normas e procedimentos a serem respeitados.
Em outros termos: para o patronato associado à SIP quem manda são os
proprietários, que podem fazer o que quiserem e bem entenderem sem
obrigações contratuais.
No momento em que o Estado fiscaliza e cobra procedimentos, os
proprietários de veículos eletrônicos de comunicação saem em campo para
denunciar o que consideram restrição à liberdade de imprensa.
Os governos do Equador, Venezuela, Bolívia e Argentina estão no índex
do baronato midiático exatamente porque cobram obrigações contratuais.
Quando emissoras irregulares não têm as concessões renovadas, a
chiadeira do patronato é ampla, geral e irrestrita.
Da mesma forma que O Globo no Rio de Janeiro, Clarin na Argentina, El Mercurio no Chile e outros editam matérias com o mesmo teor, como se fossem extraídas de uma mesma matriz midiática.
Mario Augusto Jakobskind, Direto da Redação
quinta-feira, 4 de julho de 2013
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