quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
7 OU 12 DE JANEIRO: QUAL A MAIOR DATA CÍVICA DE BELÉM?
No próximo dia 12 de janeiro estaremos comemorando os 398 anos de fundação de Belém.
Mas quantos terão lembrado do 7 de janeiro e do que ele representa para o sentimento nativista do povo paraense? Em verdade, que outra data representa melhor a soberania e o orgulho de nossa gente?
Enquanto a primeira marca o início de nossa colonização, a segunda representa o desabrochar do sentimento nativista, da luta do povo por justiça e liberdade.
Primeiro em 7 de janeiro de 1619 quando Guaymiaba, cacique tupinambá, tomba ao lado de dois mil guerreiros ante as muralhas do Forte do Presépio na vã tentativa de libertar Belém de mãos tiranas. Depois, no mesmo dia do ano de 1835, a Cabanagem, a mais genuína revolução popular do Brasil, sagrou-se vitoriosa em seu primeiro embate contra a tirania.
Aqui, os dois episódios da nossa tão mal contada História que muitos fazem questão de esconder...
VOO ENTRE ARMAS I
Era sete de janeiro.
De quando em vez um banzeiro
rebentava na muralha
antecipando a batalha
contra o Forte do Castello
primeiro e mortal duelo
na Belém recém-nascida
precocemente envolvida
em sua casta inocência
nos lençóis da violência.
Era janeiro. Chovia.
Céu escuro, manhã fria
com feição de luto e medo.
vez por outra do arvoredo
um agourento chincoã
engravidava a manhã
com seu canto mandingueiro.
Era sete de janeiro...
Do Piri as verdes margens
escondiam nas ramagens
guerreiros Tupinambá,
angelins do Grão Pará
pintados de amor e guerra,
de revolta e bem querer
para lutar pela terra
ou sobre a terra morrer.
Belém nem tinha três anos
e já registrava os danos
de um batismo a ferro e fogo
no brutal e eterno jogo
entre opressor e oprimido
entre mocinho e bandido
entre balas carniceiras
e taquaras justiceiras,
bordunas de redenção
contra espadas de opressão!
Tomba o grande Guaymiaba,
cacique Tupinambá
e longa noite desaba
sobre Belém do Pará.
Cai por terra Guaymiaba
mas a luta não acaba
naquele triste janeiro.
Em cada peito guerreiro
as sementes da igualdade,
da justiça e liberdade
germinam feito capim
à espera de um dia, além,
que a rosa rubra do povo
desabrochasse de novo
nos canteiros de Belém.
VOO ENTRE ARMAS II
Manhã sem luz, sem cor, sem poesia...
De quando em vez do matagal se ouvia
o agourento cantar de um chincoã.
Era o sétimo dia de janeiro.
Na muralha o marulho do banzeiro
embalava Belém que ainda dormia.
A história se repete. Nada é novo.
Mesmo palco de luta, mesmo povo
mesmos tiranos, mesmos ideais.
E Guymiaba após duzentos anos
renasce e luta ao lado dos cabanos
fundido ao lema vencer ou vencer!
A luta é desigual: artilharias
contra espingardas, ódio e tirania
contra o ideal e a fome de justiça!
A história desta vez não se repete:
Belém, cansada, nesse dia sete,
adormece nos braços do seu povo.
( Do livro: "Uirá-Pirá -a saga do peixe-pássaro" )
Saudações cabanas do
Antonio Juraci Siqueira
A propósito da proposta de mudança na sistemática de demarcação das terras indígenas
"O comprometimento desse governo com a lógica da exploração e
acumulação chegou a tal ponto que já não percebe o absurdo de sua
proposta e o quanto é desprezível e mesquinha a tentativa de convencer
os povos indígenas a aceitá-la. A arrogância venceu o medo", afirma o Cimi em seu sítio, 05-12-2013.
Eis a nota.
Propor mudanças na sistemática de demarcação das terras indígenas,
caso da minuta apresentada pelo Ministério da Justiça, é a resposta do
governo aos seus aliados do agronegócio. Como ele não pode renunciar
publicamente ao seu dever constitucional, a saída encontrada foi criar
um imbróglio capaz de assegurar que em tempo algum tenha que decidir
sobre a declaração dos limites de uma terra indígena, sobretudo se a
delimitação contrariar os seus amigos latifundiários.
O governo FHC, com o Decreto 1775/96,
já havia feito um movimento semelhante trazendo para a via
administrativa o chamado “direito ao contraditório” no procedimento
demarcatório das terras indígenas. O argumento usado para tentar
convencer os povos indígenas dessa mudança foi o de evitar as ações na
Justiça e, em consequência, agilizar a demarcação das terras indígenas.
Aconteceu o contrário. Proliferaram as ações na Justiça. Curiosamente o
argumento do governo atual e suas motivações são exatamente os mesmos.
Por isso é perfeitamente compreensível a indignação das lideranças
indígenas diante do cinismo governamental que tenta enganá-los pela
segunda vez com os mesmos argumentos mentirosos. Não precisa ser nenhum
expert para perceber que a demarcação das terras indígenas envolve a
disputa entre interesses por um lado e direitos por outro,
irreconciliáveis, e se o governo propõe a mudança na forma da demarcação
das terras para atender a reivindicação dos ruralistas, ele o faz de
forma consciente para impor perdas aos povos indígenas.
O governo adotou como estratégia usar as terras indígenas como moeda
de troca nas suas negociações políticas. Os povos indígenas, através da
mobilização, têm sistematicamente se oposto e inviabilizado esta prática
e por isso vêm criando constrangimentos ao governo na relação com seus
aliados. Com a proposta de mudança na sistemática de demarcação das
terras indígenas e com a Portaria 303, da AGU, o governo sinaliza para estes aliados que continua disposto a honrar os compromissos firmados.
Os interlocutores do governo com o movimento indígena e popular, para
desmobilizar a luta, enchem a boca para afirmar que se trata de “uma
decisão de governo” um grande empreendimento aqui ou acolá, sobretudo
dos PAC’s, fazendo crer que é irreversível e o negócio é
um só: aceitar. Com as usinas hidrelétricas têm sido assim: haja o que
houver, mesmo criando problemas para os povos e comunidades locais,
destruindo o que tiver que destruir. Se as comunidades resistem, ou
trabalhadores entram em greve, o governo age com a Força Nacional de
Segurança.
Não é este o discurso que o governo adota quando se trata de garantir
os direitos constitucionais dos povos indígenas, quilombolas e
comunidades tradicionais. Não existe “uma decisão de governo” para dizer
aos defensores do latifúndio, da concentração da terra, do
desmatamento, do uso indiscriminado de agrotóxicos, dos alimentos
transgênicos que mesmo que “chova canivete” fará respeitar o direito
sagrado a terra destes povos e comunidades.
O comprometimento desse governo com a lógica da exploração e
acumulação chegou a tal ponto que já não percebe o absurdo de sua
proposta e o quanto é desprezível e mesquinha a tentativa de convencer
os povos indígenas a aceitá-la. A arrogância venceu o medo.
Fonte: IHU
Fonte: IHU
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Que venha 2014!
Veremos novamente milhões nas ruas em
2014? Como se dará a luta da juventude com a chegada da Copa da FIFA? A
repressão policial irá aumentar na tentativa de inibir a participação do
povo? Não podemos deixar de aprender com os ensinamentos das
manifestações de junho, sempre olhando pra frente, buscando fortalecer a
mobilização da juventude para conquistarmos mais direitos. A exclusão
social causada pelo capitalismo, que impõe a milhões de brasileiros
baixos salários, moradias precárias e péssimos serviços de saúde e
educação, sensibilizam cada vez mais pessoas e evidenciam todos os dias a
necessidade de uma profunda transformação social. Cada vez mais jovens
anseiam por isso!
Precisamos aproveitar os primeiros meses
do ano para promover ainda mais discussões, reuniões e lutas, seja
contra as tentativas de aumentos nas passagens, seja por melhorias na
educação. Outra reivindicação que deve estar presente é a moradia como
um direito universal, além de uma melhor infraestrutura nos bairros.
Quem nega esporte, cultura e emprego para a juventude, o Estado
brasileiro, deve ser combatido sem trégua.
Organizar a juventude em luta é fundamental, pois como bem disse o comandante Che Guevara, “a melhor maneira de educar um povo, é fazê-lo entrar em revolução”.
Será decisivo portanto, ampliar a capacidade de organização do
movimento, valorizando os espaços de participação e construção coletiva
da juventude. Os grêmios estudantis, entidades municipais e estaduais,
diretórios acadêmicos e diretórios centrais, são uma grande força para
milhões de estudantes brasileiros, mas é possível ir além e envolver a
juventude nos bairros, no mercado de trabalho, fazer mais assembleias,
formar e convocar fóruns, plenárias, enfim, criar novas e melhores
formas de organizar e mobilizar a juventude, organizando uma grande
intervenção da juventude brasileira nos próximos meses.
Em algumas conjunturas, dias valem por
anos, e o aprendizado e consciência dos povos avança na luta por mais
direitos. Tudo indica que viveremos muitos dias assim em 2014, dias que
trarão milhares de jovens que sonham com um Brasil melhor, mais justo e
igualitário, para a luta!
Nesta caminhada a luta ganha força.
Devemos levantar de forma decidida a bandeira da revolução e do
socialismo, pois esta é a única alternativa verdadeira para a juventude e
a classe trabalhadora brasileira.
Por um 2014 de lutas e vitórias para a juventude brasileira!
Rafael Pires é membro da Coordenação Nacional da UJR
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