quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Para jamais esquecer: Há 31 anos, Grupo da Várzea executava Margarida Maria Alves
Texto do portal da Fundação Margarida Maria Alves
Nascida e criada em Alagoa Grande, no Brejo Paraibano, foi a primeira mulher presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade. Lá, fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural, uma iniciativa que, até hoje, contribui para o desenvolvimento rural e urbano sustentável, fortalecendo a agricultura familiar.
Nascida e criada em Alagoa Grande, no Brejo Paraibano, foi a primeira mulher presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade. Lá, fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural, uma iniciativa que, até hoje, contribui para o desenvolvimento rural e urbano sustentável, fortalecendo a agricultura familiar.
Lutando pela defesa dos direitos dos trabalhadores sem terra, suas
principais metas eram o registro em carteira de trabalho, a jornada
diária de trabalho de 8 horas, 13° salário, férias e demais direitos,
para que as condições de trabalho no campo pudessem ser equiparadas ao
modelo urbano.
Em seus 12 anos de gestão, o Sindicato moveu mais de 600 ações
trabalhistas e fez diversas denúncias, como a endereçada diretamente ao
Presidente do Brasil, em 1982, João Batista Figueiredo. Infelizmente,
Margarida não viveu o suficiente para ver o resultado de seu pleito. Por
causa do surgimento do Plano Nacional de Reforma Agrária, a violência
no campo foi intensificada por parte dos latifundiários, que não queriam
perder suas terras, mesmo as improdutivas.
A partir deste momento, o trabalho de Margarida na defesa dos direitos
dos trabalhadores entrou em conflito com os interesses dos
latinfundiários, tornando-a uma ameaça para eles. Em seu discurso na
comemoração do 1° de maio de 1983, na cidade de Sapé, na Paraíba, ela
deixou isto bem claro: “Eles não querem que vocês venham à sede porque
eles estão com medo, estão com medo da nossa organização, estão com medo
da nossa união, porque eles sabem que podem cair oito ou dez pessoas,
mas jamais cairão todos diante da luta por aquilo que é de direito
devido ao trabalhador rural, que vive marginalizado debaixo dos pés
deles”.
Margarida seria assassinada três meses e onze dias após essa declaração.
O principal acusado é Agnaldo Veloso Borges, então proprietário da
usina de açúcar local, a Usina Tanques, e seu genro, José Buarque de
Gusmão Neto, mais conhecido como Zito Buarque. Seu sogro era o líder do
Chamado Grupo da Várzea, composto por 60 fazendeiros, três deputados e
50 prefeitos. O crime ocorreu no dia 12 de agosto de 1983, quando um
pistoleiro de aluguel, num Opala vermelho, disparou um tiro de escopeta
calibre 12 em seu rosto, quando ela estava na frente de sua casa. Seu
filho e seu marido viram tudo. Foram acusados pelo crime o soldado da PM
Betâneo Carneiro dos Santos, os irmãos pistoleiros Amauri José do Rego e
Amaro José do Rego e Biu Genésio, motorista do Opala. Mais tarde, ele
foi assassinado, como “queima de arquivo”.
O crime teve repercussão internacional, com denúncia encaminhada à Corte
Internacional de Direitos Humanos e várias outras entidades
semelhantes. Severino, o marido de Margarida, dizia que “ela era uma
mulher sem medo, que denunciava as injustiças”. Na época de sua morte,
72 ações trabalhistas estavam sendo movidas contra os fazendeiros
locais.
Símbolo da luta pelos direitos dos trabalhadores rurais, Margarida
recebeu, postumamente, o prêmio Pax Christi Internacional, em 1988; em
1994, foi criada, pela Arquidiocese da Paraíba, a Fundação de Defesa dos
Direitos Humanos Margarida Maria Alves e, em 2002, recebeu a Medalha
Chico Mendes de Resistência, oferecida pelo GTNM/RJ.
O dia de seu assassinato, 12 de agosto, é conhecido como o Dia Nacional
de Luta contra a Violência no Campo e pela Reforma Agrária.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
O Lázaro da Paraíba
No livro “Espirituoso”, que reúne histórias de Ronaldo Cunha Lima, um amigo do ex-governador da Paraíba conta que certa vez o político foi questionado por Humberto Lucena, à época senador pelo PMDB, sobre o paradeiro de um conhecido. Cunha Lima, que sabia por onde o sujeito andava, resolveu encurtar o assunto:
—Morreu!
Pouco tempo depois, a dupla avistou o personagem na primeira fila de um comício. Antes de ser questionado, Cunha Lima se antecipou e disse a Lucena:
—Pois é… ressuscitou!
Pouco tempo depois, a dupla avistou o personagem na primeira fila de um comício. Antes de ser questionado, Cunha Lima se antecipou e disse a Lucena:
—Pois é… ressuscitou!
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
terça-feira, 5 de agosto de 2014
"A Unidade Operária contra o Fascismo", livro de Dimitrov é lançado pelas edições Manoel Lisboa
As Edições Manoel Lisboa acabam de lançar o livro A Unidade Operária Contra o Fascismo. Trata-se do histórico informe apresentado pelo camarada George Dimitrov, secretário-geral do Partido Comunista da Bulgária, no 7º congresso da III Internacional, em 2 de agosto de 1935.
Dimitrov inicia sua exposição apresentando o avanço da ofensiva do fascismo no mundo como resultado da profunda crise do capitalismo e do interesse da burguesia em preparar uma guerra imperialista e barrar o desenvolvimento do movimento revolucionário dos trabalhadores contra o capitalismo.
A análise de Dimitrov sobre a preparação de uma guerra imperialista se confirma poucos anos depois com a Segunda Guerra Mundial, cujo objetivo, por parte das potências imperialistas, era o de conquistar novos mercados e colonizar povos, partilhando todo o globo e descarregando sobre os trabalhadores o peso de sua crise.
O caráter de classe do fascismo também é revelado por Dimitrov, que o caracteriza como o ajuste terrorista do capital financeiro contra a classe operária. Resultado do temor das revoluções proletárias, o setor mais reacionário da burguesia rompe com a democracia burguesa e o parlamentarismo e instaura o poder por meio do terror, do exercício da bestialidade contra os povos.
Apontando as diversas expressões do fascismo, Dimitrov coloca que este regime apresenta formas diferentes em diversos países e nem sempre é instalado a partir de uma ruptura imediata com a democracia burguesa; em muitos casos, há uma combinação de aparente legalidade com a instauração do terror.
Essa aparência democrática do fascismo foi endossada até mesmo pelos chefes da socialdemocracia, que, muitas vezes, negaram-se a combater as medidas mais reacionárias apresentadas no Parlamento, ocultando, assim, o verdadeiro caráter de classe do fascismo. Dimitrov alerta ainda para a forma como o fascismo surge e conquista influência sobre as massas, destacando o apelo demagógico sobre as necessidades mais candentes dos trabalhadores, bem como pela incitação aos antigos preconceitos alimentados pela ideologia burguesa sobre o proletariado, utilizando-se, inclusive, do termo socialismo, como foi no caso do Partido nazista alemão, que se chamava Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.
O fascismo, destaca Dimitrov, é demagógico, está a serviço do imperialismo e consegue unificar os setores mais reacionários da burguesia para instaurar a corrupção, chamando a atenção pela violência cínica do seu discurso em defesa de um governo honrado e contra a corrupção. Promete às massas melhores condições de vida, mas proporciona, na realidade, o aumento da sua exploração, empurrando a classe trabalhadora para a sarjeta.
Combatendo a política de divisão da socialdemocracia, Dimitrov defende a unidade sindical dos trabalhadores por meio dos sindicatos únicos para cada ramo de produção, através de uma única central sindical por país e de uma única central sindical mundial. Desta forma, ensina Dimitrov, os revolucionários devem desenvolver uma política classista que unifique os trabalhadores para desmascarar e deter os ataques burgueses em todos os sentidos.
Na mesma direção, orienta a criação de Associações Antifascistas para o trabalho da juventude e de mulheres. Os jovens e as mulheres estão entre os que mais sofrem com a crise econômica, com o desemprego e a miséria em que são lançados. Por outro lado, por seu espírito de combatividade rebelde, cumprem um papel decisivo na luta de classes, assim como as mulheres, que demonstram grande disposição para lutar por seus direitos sempre que são convocadas.
Os comunistas, ensina, não podem abandonar jamais a luta ideológica contra o fascismo. Não podem vacilar em defender as tradições de lutas dos povos, tampouco podem deixar passar sem luta ideológica qualquer sentimento de nacionalismo, comumente convertido pelos fascistas em retórica para ludibriar os trabalhadores. É preciso deixar claro para o proletariado que os comunistas são os maiores defensores da pátria e que os interesses do proletariado não são apenas nacionais, mas internacionais.
Diante da atual conjuntura política, marcada pela maior crise econômica do capitalismo em décadas, pelo acirramento da luta de classes, pelo avanço das mobilizações dos trabalhadores em todo o mundo e pela contraofensiva fascista, esta obra de Dimitrov apresenta uma enorme atualidade e traz vários ensinamentos que devem ser seguidos por todos os comunistas revolucionários. Nisto reside a grande importância da leitura desta obra.
Magno Francisco, Maceió
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