sexta-feira, 29 de abril de 2011

Veja o que Ariano Suassuna acha do famigerado Forró de Plástico

Ariano Suassuna

'Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!'. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são 'gaia', 'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.
Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas

Porém o culpado desta 'desculhambação' não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é 'É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente. Sem esqu ecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Forró Vivo


Alceu Valença


Vejo com muito bons olhos – olhos atentos de quem há décadas observa os movimentos da cultura em nosso país – a iniciativa do Secretário de Cultura do Estado da Paraíba, Chico César, de “investir conceitualmente nos festejos juninos”, segundo comunicado oficial divulgado esta semana. Além de brilhante cantor e compositor, Chico tem se mostrado um grande amigo da arte também como um dos maiores gestores da cultura desse país.

A maneira mais fácil de dominar um povo – e a mais sórdida também – é despi-lo de sua cultura natural, daquilo que o identifica enquanto um grupamento social homogêneo, com linguagens e referências próprias. Festas como o São João e o carnaval, que no Brasil adquiriram status extraordinariamente significativo, tem sido vilipendiadas com a adesão de pretensos agentes culturais alienígenas mancomunados com políticas públicas mercantilistas sem o menor compromisso com a identidade de nosso povo, de nossas festas, e por que não, de nossas melhores tradições, no sentido mais progressista da palavra.

Sempre digo que precisamos valorizar os conceitos, para que a arte não se dilua em enganosas jogadas de marketing. No que se refere ao papel de uma secretaria ou qualquer órgão público, entendo que seu objetivo primordial seja o de fomentar, preservar e difundir a cultura de seu estado, muito mais do que simplesmente promover eventos de entretenimento fácil com recursos públicos. É preciso compreender esta diferença quando se fala de gestão de cultura em nosso país.

Defendo democraticamente qualquer manifestação artística, mas entendo que o calendário anual seja largo o suficiente para comportar shows de todos os estilos, nacionais ou internacionais. Por isso apóio a iniciativa de Chico em evitar que interesses mercadológicos enfiem pelo gargalo atrações que nada tem a ver com os elementos que fizeram das festas juninas uma das celebrações brasileiras mais reconhecidas em todo o mundo.

Lembro-me que da última vez que encontrei o mestre Luiz Gonzaga, num leito de hospital, este me pedia aos prantos: “não deixe meu forrozinho morrer”. Graças a exemplos como o de Chico César, o velho Lua pode descansar mais tranquilo. O forró de sua linhagem há de permanecer vivo e fortalecido sempre que houver uma fogueira queimando em homenagem a São João.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Eu queria estar na festa, pá"


Com a música "E depois do Adeus" de Paulo de Carvalho tocada exatamente às 22h e 55min do dia 25 de abril de 1974 pelos Emissores Associados de Lisboa era dada a senha ao grupo de militares que colocavam em prática um golpe de estado que derrubava a ditadura Salazarista de 39 anos de existência em Portugal.

O grupo havia se reunido pela primeira vez em meados de agosto de 73 tendo aprovado o primeiro documento lançando o Movimento das Forças Armadas em março de 74 propondo uma solução política para as revoltas separatistas nas colônias e não uma solução militar como o regime ditadorial colocava em ação.

Um dia antes do golpe os militares do MFA instalavam o posto de comando golpista no quartel da Pontinha em Lisboa.

Às 0h e 29min com a música "Grândola Vila Morena" era iniciado as operações que confirmava o golpe.

Com o amanhecer as pessoas começaram a encher as ruas em apoio ao militares revoltosos. Um saldo de 4 mortes apenas do lado dos rebelados que pelas ruas andavam carregando na ponta de suas espingardas belos cravos vermelhos.

A revolução dos cravos garantiu em suas primeiras ações o fim da polícia política e da censura além da garantia de existência dos sindicatos livres e legalizou os partidos. Os presos políticos foram libertados e os vários exilados puderam voltar ao seu país em clima de festa e alegria. Assim, o dia 25 de abril ficou marcado em Portugal como o dia da liberdade e comemorado como feriado nacional.

Aos portugueses que acessam este blog a minha homenagem a este momento que era visto daqui do Brasil num clima de bastante tensão por conta da Ditadura fascista que endurecia cada vez mais.

E mais do que justo exponho a belíssima música de Chico Buarque que retrata este sentimento de quem via daqui esta verdadeira festa vivida pelos portugueses há 37 anos.

Minha sincera homenagem e meu profundo desejo de que este povo possa avançar a luta sendo consequente com o dia da liberdade, comemorada no dia de hoje, rompendo com o imperialismo capitalista que afoga Portugal e todo o mundo numa crise interminável.

No mais, é ouvir e se deleitar com "tanto mar" de Chico Buarque.

*Tanto mar
Chico Buarque

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

*Letra original,vetada pela censura; gravação editada apenas em Portugal, em 1975.

By Lattuf

MONOGAMIA E PROPRIEDADE PRIVADA


Um homem inteligente falando das mulheres

Luiz Fernando Veríssimo

O desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana.
Tenho apenas um exemplar em casa,que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem as Mulheres!'
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da feminilidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

1. Habitat
Mulher não pode ser mantida em cativeiro. Se for engaiolada, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que as prenda e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse de uma mulher, o que vai prendê-la a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente.

2. Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não a deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.

3. Flores
Também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.

4. Respeite a natureza
Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação? Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso.

5. Não tolha a sua vaidade
É da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, colecionar brincos, comprar muitos sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shopping. Entenda tudo isso e apoie.

6. Cérebro feminino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente o aposentaram!). Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher. Algumas vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.

Não faça sombra sobre ela
Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.

Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.

E meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire GAY.

Só tem mulher, quem pode!

Um grande abraço,

Envie a todas as mulheres e aos homens que são inteligentes e "têm" uma mulher ou querem "ter".

sábado, 23 de abril de 2011

O encontro



A definição da imagem ficou ruim para se ler com clareza mas aqui vai o diálogo contido nos balões:

Veneziano:

- Governador, quando não passo cebo de bode no meu cabelo ele fica mucho que nem esse arbusto. Por isso não tenho tempo de fazer merda nenhuma por Campina se não pedir dinheiro.

Ricardo diz em seus pensamentos:

- cabelo feio da porra... se eu der 1 milhão de reais pra Campina esse cabeludo desvia do São João pra comprar Laquê...

A imagem foi retirada do Blog do Tião Lucena

Cliente por não conseguir comprar uma garrafa de vinho espanca filho de proprietário do supermercado

O fato aconteceu na sexta-feira santa no Sertão do Estado. O comércio estava fechado, mas o cliente insistia em comprar vinho para ¨celebrar¨

Wellington dos Santos Lima, 40 anos, residente na cidade de Sousa agrediu fisicamente nessa sexta-feira santa (22), o jovem Tarso Pereira Roseno, de 22 anos, que é filho de um proprietário de supermercado no município.

A agressão foi motivada porque Wellington queria comprar vinho para celebrar a “Paixão de Cristo”, mas o mercadinho estava fechado.

De acordo com informações da polícia, Tarso explicou para o cliente que não abriria o estabelecimento, pois se tratava da “Semana Santa” e Wellington reagiu agressivamente e jogou um copo de vidro no rosto do rapaz e passou a espancá-lo.

A polícia foi acionada e levou o acusado para a delegacia.

DIÁRIO DO SERTÃO