terça-feira, 27 de outubro de 2015
domingo, 25 de outubro de 2015
CÓDIGOS
o que há de ser dito
mesmo quando
impreciso
o que não é
viagem nem vício
o que nunca revela
o índice além do
indício
o que repete
o fim
desde o início
(Lau Siqueira)
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Professora aposentada escreve carta aberta para Aécio: “V.Ex.ª é o político mais burro desse país”
Meu nome é Maria Aparecida Franco Góes. Sou professora
aposentada pelo estado de Minas Gerais. Trabalhei durante 32 anos
fazendo aquilo que eu mais desejava: formar pessoas de caráter. Falhei
muitas vezes, assim como todo mortal. E hoje carrego comigo a lição mais
importante que aprendi nesses anos todos: SEMPRE APRENDER COM O ERRO! O
ERRO DE HOJE PODE SER A CHAVE PARA O SUCESSO DE AMANHÃ.
Tive
uma infância pobre e simples. Nunca fiz papel de vítima perante a vida e
a sociedade. Cresci, estudei, me formei e conquistei tudo que tive
graças ao meu esforço pessoal. Na cidade que escolhi viver, nunca
precisei de cabide de emprego público e, tampouco de favores de
políticos locais ou estaduais. Apesar de meu cargo ser considerado
público, eu o conquistei por merecimento. Passei em um concurso e
conquistei o quarto lugar.
Caro senador Aécio Neves
(Maria Aparecida Franco Góes exclusivo para o BR29)
Vou
usar o pronome de tratamento V. Ex.ª (vossa excelência) para me referir
ao senhor. Não farei isso por protocolo, como fazem os políticos. Farei
isso pura e simplesmente por ironia e sarcasmo. Se eu pudesse escolher o
pronome correto para me referir à sua pessoa, usaria um pronome que, na
língua inglesa, se refere a coisas. É uma pena que esse pronome (it)
não tenha uma palavra semelhante em nossa língua portuguesa.
Em
primeiro lugar, gostaria de dizer que sempre fui sua eleitora. Votei
várias vezes em V. Ex.ª, inclusive nas últimas eleições de 2014.
Portanto, me poupe de ser taxada como petista, petralha, comunista ou
qualquer outro adjetivo semelhante.
Resolvi lhe escrever essa
carta aberta porque a atual situação do meu estimado Brasil tem me
incomodado bastante, assim como tem incomodado a grande maioria da
população brasileira.
Nós perdemos as eleições meu caro Aécio. Eu
fui uma das mais de 51 milhões de pessoas que votaram em V. Ex.ª. Eu
também amarguei o sentimento de fracasso junto com V. Ex.ª.
A
única diferença entre nós dois é que eu consegui aceitar esse
contratempo, enquanto V. Ex.ª transformou todo esse episódio de derrota
em raiva, ódio, mágoa, despeito e hipocrisia.
Nosso país tem
tomado alguns rumos que, talvez, não sejam os melhores. Algumas decisões
da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff tem sido precipitadas
e, certamente estão em desencontro com tudo aquilo que ela pregou
durante a campanha de 2014.
Mas isso é motivo para o
comportamento agressivo, mesquinho, egoísta, individualista e infantil
que V. Ex.ª tem manifestado diante da mídia e das redes sociais?
Qual
a proposta que o senhor tem a oferecer para ajudar a conter atual crise
política e econômica pela qual o meu país está atravessando?
Aliás,
quais são as propostas que V. Ex.ª tem apresentado, como senador, ao
meu estado de Minas Gerais durante esses últimos quatro anos?
Que
tipo de contribuição social V. Ex.ª ou o seu partido (que já não é mais
o meu partido) tem dado às pessoas pobres desse imenso Brasil?
Cansei
sr. Aécio. Hoje posso dizer claramente que me arrependo de todos os
votos de confiança que destinei à sua pessoa. Já estou aposentada, não
tenho mais medo de dizer o que penso e correr o risco de sofrer alguma
retaliação de gente maldosa como você. Não podem mais me tirar o cargo,
me transferir, me aplicar sanções disciplinares ou até mesmo me demitir
por dizer aquilo que penso sobre a podridão que infesta o meio político.
Hoje digo do fundo do meu coração que V. Ex.ª não passa de um “João ninguém”. V. Ex.ª é o político mais burro desse país.
Falo isso sem ódio. O único sentimento que me resta com relação à sua pessoa é pena. O motivo? Eu explico:
Me
lembro dos garotinhos mimados e ricos que convivi na infância. Eles iam
jogar futebol contra outros garotos (de baixa renda, assim como eu na
época) e quando o time dos mimados tomava um gol dos garotos pobres,
sabe o que eles faziam? Eles pegavam a bola e iam embora pra casa.
Encerravam o jogo!
Isso reflete você hoje Aécio! Não
conseguiu aprender que a vida tem vitórias e derrotas. E muitas vezes,
sr. Senador, é na derrota que somos vencedores! É no fracasso que
podemos ressurgir mais fortes e preparados para o próximo desafio.
Vossa
excelência, infelizmente, não conseguiu enxergar isso. Tinha tudo para
se tornar o próximo presidente da República. Seria o líder de uma nova
geração. Poderia ajudar o atual governo com propostas úteis para superar
a atual crise e surgir como o novo salvador da pátria. Mas preferiu
fazer o jogo da vingança, da avareza e da burrice.
Tenho vergonha de dizer que um dia fui sua eleitora! Passar bem.
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
7 clichês contra Direitos Humanos desconstruídos por colunistas do Justificando
Essa semana foi divulgada pelo Datafolha uma pesquisa indicando que metade da população brasileira acredita que "bandido bom é bandido morto". Esse é mais um dos clichês diariamente ditos em nome de quem é contra os direitos humanos.
Existem outros bem famosos, que, inclusivem, enchem a caixa de comentários do Justificando todos os dias. Fizemos uma série dos mais comuns e mostramos para nossos colunistas responderem, na esperança de que esses clichês virem o que de fato são - frases de efeito sem sentido algum. Confira:
1- "Tá com dó? Leva pra casa"
Esse é um argumento muito usado por quem defende a redução da maioridade penal no Brasil. Direitos humanos sempre foi associado como piedade, levando a crer que quem combate violência tem "dó de bandido". Segundo a professora de direito penal da FGV e colunista no Just, Maíra Zapater, "não é o caso de ter dó e levar pra casa, nem de ter ódio e levar pra fogueira: ao tentar reger as relações sociais por normas que se pautam pela preservação de direitos aos quais basta a natureza de ser humano para ser titular, a ideia era justamente afastar as paixões irracionais que tanto dificultam a realização do nosso frágil ideal de justiça", afirmou.
O teólogo Wagner Francesco ainda lacrou - "Interessante que numa sociedade religiosa como a nossa ter dó e levar para casa seria uma boa opção, já que, para Jesus, ter compaixão significa"sofrer com". (do lt. Cum (com) patire (sofrer). Ninguém precisa levar o outro pra casa, porque o outro quer o próprio lar. Mas ter dó é o mínimo que se espera de uma sociedade que se diz cristã".
2- "Direitos humanos são direitos dos manos"
A ativista negra e colunista Joice Berth explica que a palavra "mano" é ligada ao movimento Hip Hop nacional, que hoje é aceito, mas no passado era muito marginalizado. Dizia-se que as letras defendiam bandidos (os manos!). O uso pejorativo da palavra já se identifica um preconceito racial gritante, aliado a total falta de empatia e de conhecimento sobre o assunto.
"Ninguém é contra os Direitos Humanos quando o filho do Eike Batista é absolvido de um crime óbvio, mas quando Rafael Braga é preso por portar desinfetante doméstico em uma manifestação e as pessoas contestam a prisão, daí os privilegiados acham que só"os manos"têm direito. Os manos são negros e pobres, marginalizados e indesejados pela elite, logo não devem ter direitos, segundo a lógica dessa gente", diz.
3- "Direitos humanos não vai à casa das vítimas, só dos bandidos"
O Advogado e Doutorando em Filosofia Pedro Peruzzo explica que a Declaração Universal de Direitos Humanos estabelece uma série de direitos que não são imaginados por quem usa esse tipo de argumento: "propriedade privado é um direito humano"- argumenta.
"Esses princípios são fundamentos de atitudes. Se nós achamos que esse fundamento não está em algum lugar, cabe a nós levá-los para onde achamos que deveria estar", afirmou.
4- "O Brasil é o país da impunidade"
Esse clichê é tão clássico que é capaz de ser ouvido umas 5 vezes por dia, no mínimo. Muitas pessoas acreditam que se existe violência é porque não existe punição, o que é totalmente equivocado analisando os dados so sistema prisional brasileiro. O Brasil é o 4º país que mais prende no mundo e, segundo os dados do Ministério da Justiça, em 2014 existia 607 mil apenados no Brasil. E tem mais, na conta do Ministério, não demorará muito para chegarmos a 1 milhão. O último que entrar na cela que apague a luz.
5- O cidadão de bem tá preso e os bandidos estão soltos
Pesquisa bate no clichê n. 4 também bate em clichê n. 5. Segundo o AdvogadoRoberto Tardelli essas são frases de quem não enxerga a realidade: O Brasil está no pódio de maior encarcerador do mundo. Como é que alguém pode falar em bandidos soltos? Estão todos presos, alguns em casa, outros no presídio, nesse país que vive o medo e cultiva a violência.
6- Direitos humanos para humanos direitos
Nossa, essa é outra clássica né?
A Advogada Gabriela Cunha Ferraz explica que os "Direitos Humanos foram previstos pela Convenção do Pós Guerra, valendo para anistiar todos os lados envolvidos, mostrando que somos todos iguais, além de pregar a paz. Por isso, os direitos humanos são universais e aplicáveis a todos, não só aos direitos - também aos esquerdos, por favor!"
7- "Bandido bom é bandido morto"
E o mais comentado por todos, que ganhou prêmio de mais utilizado entre os argumentos anti direitos humanos, o bandido bom é o bandido morto. Para Roberto Tardelli esse resultado significa o repudio o direito à vida, o julgamento, é admitir a morte como solução, a “solução final”, a nos dar arrepios na alma.
"Quando mais da metade da população quer ver o sangue cobrindo as ruas, quer ver a polícia ou quem vier a fazê-lo, a matar os indesejados, os excluídos, os marginais, quando mais da metade da população se regozija com isso, qualquer voz que se levante falando pela dignidade humana, será execrada e levada à matilha para que seja ali devorada, em praça pública, sob o holofote das redes sociais", afirma.
CANÇÃO DE AMOR ÀS TEMPESTADES
não sinto saudades
do que me faz falta
nem de ausência
que permanece
porque o mundo inteiro
desaba em tempestades
mas o sol sempre nasce
quando sinto saudades
reviro memórias e recolho
as melhores sementes
porque mesmo quando
tudo falta ainda há
o que brota
o que diante do sim
e do não
é cio
não se permite
nem se esgota
(Lau Siqueira)
que permanece
porque o mundo inteiro
desaba em tempestades
mas o sol sempre nasce
quando sinto saudades
reviro memórias e recolho
as melhores sementes
porque mesmo quando
tudo falta ainda há
o que brota
o que diante do sim
e do não
é cio
não se permite
nem se esgota
(Lau Siqueira)
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Assinar:
Postagens (Atom)


